Biz Stone, um dos fundadores da rede social Twitter na obra sobre o seu percurso, «Coisas que um passarinho me contou», defende «um triunfo não da tecnologia, mas da humanidade».

«A tecnologia que aparentemente altera as nossas vidas não se resume a um milagre da invenção ou da engenharia. Por mais máquinas que acrescentássemos à rede ou por mais sofisticados que os algoritmos se tornassem, aquilo em que trabalhei e testemunhei no Twitter foi, e continua a ser, um triunfo não da tecnologia, mas da humanidade», escreve Stone.

O livro, «Coisas que um passarinho me contou», é publicado pela Editorial Presença, na próxima quarta-feira, e segundo o autor, «é mais do que a narrativa de alguém que subiu a pulso», pois «trata-se de uma história sobre criar alguma coisa a partir do nada, sobre como aliar capacidades e ambições, e sobre o que se aprende quando se observa o mundo através de uma lente de possibilidades infinitas».

Biz Stone, batizado Christopher Isaac Stone, nasceu há 40 anos em Wellesley, no Estado norte-americano de Massachusetts, e tornou-se um empresário da Internet em 1999. Trabalhou na empresa Google, participou diretamente no desenvolvimento da comunicação através da blogosfera e fundou a rede social Twitter, em parceria com Jack Dorsey.

Stone é perentório ao afirmar que os laços que criou no Twitter «são para toda vida» e realça que a «principal competência» que possui é «a capacidade de ouvir pessoas», dos colegas à família.

«Não sou um génio, mas sempre tive fé em mim e, mais importante, na humanidade», atesta.

O cofundador da rede social Twitter não se considera um génio, mas reconhece que a «autoconfiança» é importante, e é uma imagem que se deve passar aos outros.

«Por vezes, quando criamos uma empresa, não temos mais nada a não ser uma ideia. E há ocasiões em que nem isso temos - apenas a suprema confiança que um dia essa ideia surgirá. É preciso que comecemos por algum lado, pelo que nos declaramos empresários», e cita um episódio de uma série de desenhos animados em que a personagem «Coiote» se apresenta ao coelho «Bugs Bunny« entregando-lhe um cartão em que se lê: «Coiote, Génio».

Esta apresentação, atesta o autor, «resume espírito do empreendedor de Silicon Valley», zona no sul da baía de S. Francisco, na Califórnia, onde a partir de 1950 se implantaram empresas visando criar inovações científicas e tecnológicas, nomeadamente nos circuitos eletrónicos e na informática.

Biz Stone afirma que, após vicissitudes várias, quando se mudou para Sillicon Valley não foi motivado pela procura de emprego, «mas sim pelo desejo de correr riscos, de imaginar um futuro» e de se «reinventar».

O autor reconhece que o seu primeiro projeto, com um grupo de amigos com o qual criou um site denominado «Xanga», a sua primeira empresa «startup», foi mal sucedido, e que para continuar mais do que trabalho árduo é essencial ter ideias. Depois da Xanga, falido, com dívidas e a viver com a mulher na cave da casa materna, Stone nunca deixou de acreditar em si, e sempre procurou ideias inovadoras, até que graças ao continuado esforço na Internet, surgiu o Twitter.

«O trabalho árduo é bom e importante, mas são as ideias que nos movem, enquanto indivíduos e empresas, nações e comunidade em geral», atesta.

Defende o informático que se deve «abrir a mente a novas possibilidades». «Façamos de conta que somos até sermos. Criemos visões de um futuro aspiracional», aconselha.

Quanto ao livro, Stone afirma que o que sugere «é que todas as lições nele narradas são centrais a praticamente todas as experiências» e propõe que cada um seja capaz «de ver para lá dos gestos quotidianos» pois «descobriremos verdades sobre a razão por que nos levantamos de manhã, e o que é que infunde cor no preto e branco da realidade».