Investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) coordenaram um projeto europeu com o objetivo de desenvolver biossensores para identificar elementos biológicos como proteínas ou ADN (material genético), associado a produtos geneticamente modificados.

Estes biossensores, dispositivos descartáveis, "económicos" e "fáceis de utilizar", pretendem vir a ser uma alternativa aos métodos analíticos existentes, explicou à Lusa a coordenadora da investigação, Cristina Delerue-Matos.

O projeto GMOsensor surgiu de uma cooperação entre Portugal, Espanha, França, Brasil e Argentina, envolvendo dez instituições e 43 investigadores, tendo a duração de dois anos e um financiamento pela Comissão Europeia em cerca de 340 mil euros.

A possibilidade de incluir equipas da América do sul constituiu um elemento facilitador no acesso a amostras que possuem Organismos Genéticamente Modificados (OGM), uma vez que na Europa a circulação de OGM é restrita", disse a coordenadora.

Segundo a investigadora, todos os parceiros possuíam experiência no desenvolvimento de biossensores.

Mundialmente, existe um aumento da quantidade de produtos lançados no mercado que possuem OGM, no entanto, "a falta de informação sobre os efeitos causados a longo prazo", leva a que existam receios no consumo desses alimentos.

Nesse sentido, "a União Europeia estabelece que qualquer produto que contenha, seja constituído por ou produzido a partir de OGM autorizados deve conter essa informação no rótulo, se o teor for superior a 0,9 %", esclareceu a investigadora Fátima Barroso, envolvida no projeto.

Essa norma existe porque o consumidor "tem direito à informação e deve fazer uma opção consciente se pretender consumir o alimento", acrescentou.

No âmbito do mesmo projeto, a investigadora Alexandra Plácido efetuou uma recolha de vários alimentos disponíveis no mercado português e detetou a presença de OGM, concluindo que a grande maioria cumpria a legislação.

Para este estudo foi usada a metodologia de referência, PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) e, neste momento, estão a ser desenvolvidos biossensores para a soja e para o milho que são atualmente as duas principais culturas transgénicas, indicou.

A importância deste projeto, para além dos resultados científicos, foi a troca de experiências entre investigadores através das mobilidades efetuadas, indicou Cristina Delerue-Matos.

Os resultados, por sua vez, vão para além do projeto pois atualmente existem outros trabalhos de investigação a decorrer entre os parceiros, referiu ainda a coordenadora.