Um grupo de 65 biólogos vai publicar, no próximo mês, uma carta aberta onde defendem que a energia nuclear é de todas a «mais limpa» e deve substituir o uso de combustíveis fósseis.

Os biólogos dizem que a construção de mais centrais nucleares pode reduzir o impacto ambiental causado pelo uso de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que se reduz o espaço ocupado, preservando espaços naturais e habitats de espécies ameaçadas.

Movimentos ambientalistas como a «Friends» ou a «Greenpeace» devem deixar de se opor à construção das centrais, defendem, e aceitar a expansão necessária para preservar o planeta e travar as alterações climáticas.

Segundo o «The Independent», o grupo afirma que a energia nuclear é cada vez mais segura e limpa, e que os movimentos ambientalistas devem analisar factos em vez de se basearem em ideais sobre «o que se pensa ser “[energia] verde”»

«Muitos cientistas têm defendido o desenvolvimento de energia nuclear de última geração, segura, para combater as alterações climáticas. Nós apelamos à comunidade ambiental e de conservação que pese os prós e contras de diferentes fontes de energia, utilizando provas objetivas (...), em vez de simplesmente se apoiarem em perceções idealísticas sobre o que é “verde”», lê-se na carta a publicar no jornal «Conservation Biology».

Na carta, académicos das universidades de Oxford, Cambrige, Londres, e outras, defendem que é demasiado arriscado se o planeta vier a depender de outras energias renováveis, como a solar e eólica, devido a problemas relacionados com os custos, materiais e terrenos ocupados.

«A energia nuclear – sendo a mais compacta e fonte da energia mais densa – pode ter um contributo enorme», escrevem.

Os biólogos defendem que um pedaço de urânio do tamanho de uma bola de golfe produz a energia vitalícia para um cidadão comum. O equivalente a 56 camiões de gás natural, 800 sacos de carvão do tamanho de um elefante, ou uma bateria recarregável tão alta como 16 arranha-céus empilhados.

Um dos subscritores da carta, o professor Corey Bradshaw, da Universidade de Adelaide, diz que muitas organizações «verdes» se colocam contra a ideia de mais centrais nucleares pelo estigma negativo a que estão associadas.

«Algumas chamadas organizações verdes e indivíduos, incluindo cientistas, evitam ou são ativamente contra tecnologias sem emissões [de poluentes], como a nuclear, devido à sua associação a um estigma negativo», disse Bradshaw, ao «Independent».