A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) vai enviar, esta quinta-feira, uma missão ao asteroide Bennu, um dos mais antigos do sistema solar e que tem uma pequena chance de colidir com a Terra no século XXII.

A missão Osiris-Rex deverá aterrar no astro em 2018, quando este voltar a passar próximo da Terra (dentro de um espaço de 300.000 quilómetros), e onde ficará cinco anos para recolher entre 60 gramas e dois quilos de poeiras e rochas da sua superfície, até regressar ao planeta mãe, em 2023.

Sendo um dos asteroides mais antigos (estima-se que se tenha formado há 4.500 milhões de anos) é semelhante aos que se acredita que tenham caído na Terra há milhares de milhões de anos – quando o planeta azul ainda era jovem – e, por isso, os cientistas creem que o Bennu pode conter respostas sobre o aparecimento de vida no nosso planeta.

Queremos estudá-lo mais detalhadamente porque o Bennu é um dos corpos mais antigos do Sistema Solar. Contém os seus segredos mais antigos, talvez as moléculas que deram origem à vida na Terra”, contou Adriana Ocampo, diretora do programa New Frontiers da NASA, ao espanhol El Mundo.

“O Bennu pertence à família dos asteroides troianos”, continuou Ocampo, “são do tipo B e os mais primitivos. São condritos carbónicos. Acreditamos que asteroides como este bombardearam a Terra quando era muito jovem, há milhares de milhões de anos, cimentando a estrutura para que tenha surgido vida”.

Porém, há outras razões para que este tenha sido o asteroide escolhido pela agência norte-americana. O Bennu tem uma órbitra muito parecida com a da Terra e passa perto do nosso planeta a cada seis anos. Depois, o tamanho: o Bennu tem 500 metros de diâmetro, o que significa que é mais estável para que a sonda possa aterrar.

A missão poderá ajudar, também, os cientistas a perceber melhor como funciona a rota do asteroide, que tem uma probabilidade de 1 em 2.500 de colidir com a Terra no século XXII. O astro deverá passar entre a Terra e a Lua em 2135, perto o suficiente para que a sua rota seja afetada pela gravidade do nosso planeta.

Será, depois, no seu regresso que haverá motivos para maior preocupação, mas, ainda assim, o asteroide não tem as dimensões suficientes para causar uma destruição ao ponto de acabar com a vida na Terra. Os cientistas acreditam que o choque com o solo poderá, sim, causar uma enorme cratera que, dependendo de onde cair, poderá ter o impacto de um grande desastre natural.

A pequena nave com apenas 2,110 quilos vai ser lançada a bordo do rocket Atlas V 411, a partir do Cabo Canaveral, na Flórida, às 19:05 (quando forem 00:05 de sexta-feira, em Lisboa).