A baleia franca do Atlântico Norte já fazia parte da lista dos animais em vias de extinção e a perspetivas de preservação da espécie já não eram nada animadoras. Há anos que o número de mortes superava largamente o número de nascimentos. Só no ano passado, morreram pelo menos 17 animais desta espécie.

O problema pode ter-se tornado ainda mais grave, uma vez que, terminada a época de gestação, os investigadores não registaram qualquer nascimento.

A época de nascimentos terminou este mês e não foi avistado qualquer recém-nascido ao largo das costas da Florida e da Georgia. De acordo com a CNN, que cita Barb Zoodsman, diretora do programa de recuperação de baleias da National Marine Fisheries Service, as mães e os recém-nascidos costumavam permanecer na região até abril. Este ano, não há qualquer registo de animais juvenis.

O que eu estou a ver e a ouvir agora deixa-me muito preocupada”, disse a cientista à CNN.

A ausência de novos nascimentos e o aumento de mortes é uma combinação explosiva, que pode acabar com a espécie muito brevemente, alerta Clay George, biólogo do Departamento de Recursos Naturais do estado da Georgia.

Isto não é sustentável."

Ainda assim, os cientistas não perderam a esperança. Já houve anos em que a saúde reprodutiva da espécie esteve mal. Clay George recorda que, em 2000, apenas nasceu um bebé da espécie. No ano seguinte, os investigadores registaram 31 nascimentos.

Continuo a perguntar quando vamos ter essa reviravolta de novo”, diz George, mas, desta vez, com muito menos esperança.

Os cientistas lembram que os números de nascimentos têm estado muito abaixo do aceitável nos últimos cinco anos e estimam que não haja mais do que 100 fêmeas com capacidades reprodutivas no Atlântico Norte. Além disso, têm sido vistos muito menos animais nos pontos habituais de alimentação da espécie, nas costas da Nova Inglaterra e do Canadá. A culpa pode muito bem ser do aquecimento das águas dos oceanos, que estão a acabar com os alimentos tradicionais destes animais. ~

Desde 1970 que as baleias francas do Atlântico estão na lista de animais em vias de extinção. Até fim do século XIX, foram pescadas quase até extinção completa para fins comerciais.