Um especialista em neurociência e psicologia defendeu hoje que o conhecimento das características de cada pessoa e daquilo que a motiva contribui para aumentar a produtividade no emprego e o desempenho em grupo, melhorando a capacidade de inovação.

"Se conseguirmos, dentro de um processo de trabalho, perceber os mecanismos de motivação neuronal, que são os mesmos da recompensa, conhecermo-nos e perceber como podemos potenciar o nosso bem estar do ponto de vista emocional ou neurobiológico, vamos ter muito mais capacidade de trabalho, de integração em grupo e social, e de produzir coisas novas", disse à agência Lusa Fernando Rodrigues, professor no Instituto Politécnico de Leiria.


O psicólogo clínico e investigador participa em vários estudos internacionais relacionados com a felicidade, nos relacionamentos amorosos, na integração social ou no trabalho, baseados no autoconhecimento como ponto de partida para identificar as motivações e as áreas de maior potencial, para melhorar os níveis realização pessoal e de bem estar.

A propósito da realização do seminário "A Neurobiologia da Felicidade Aplicada à Produtividade", na sexta-feira, em Lisboa, Fernando Rodrigues realçou a importância de aplicar alguns princípios científicos para melhorar o desempenho através do estímulo de emoções, e aumentar os níveis de felicidade e a motivação.

Sendo a felicidade uma combinação de substâncias que existem endogenamente no organismo, a neurobiologia pode dar uma ajuda no objetivo comum a todos: ser feliz.

"Quando estamos deprimidos, temos menos níveis de serotonina, quando estamos mais ansiosos e mais eufóricos ou em delírio eufórico, por exemplo, sob o efeito do consumo de drogas, há excesso de serotonina e dopamina, de facto [a felicidade] tem tudo a ver com a neurobiologia", defendeu o investigador.

"Não podemos estar felizes, se não tivermos mecanismos neurobiológicos para poder estar e, por vezes, em tom de brincadeira digo que a felicidade é um bailado de neurotransmissores" em que é importante ter "a quantidade óptima", acrescentou.


E transmitiu um conselho. "Podemos fazer todos os dias, cinco minutos, 10 minutos, uma hora" de auto reflexão, de reflexão crítica interna e de crítica externa. "É fundamental na vida e não temos de ser críticos para falar mal, temos de ser críticos para fazer bem", insistiu.

O objetivo último é ser feliz, mas não esquecendo que "a felicidade não é um caminho unidirecional, é um processo e cada um pode ter momentos felizes e ter uma vida feliz se a soma desses momentos for superior àquela dos momentos" menos positivos, especificou o investigador que também leciona em universidades do México e do Brasil.