As mudanças de órbita de Júpiter podem ter contribuído de forma fundamental para o aparecimento de vida na Terra, avança um novo estudo elaborado por investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Observatório da Universidade da Califórnia.

Os astrónomos criaram um modelo experimental que simula a formação de Júpiter e Saturno, a que deram o nome «Grand Tack». A simulação mostra que, numa altura em que o Sistema Solar era ainda muito jovem, Júpiter entrou em rota de colisão com a estrela do nosso sistema, aproximando-se da zona mais interior do sistema.

A análise de outros sistemas planetares, diz-nos que essa é uma zona onde, estatisticamente, há uma elevada probabilidade de encontrar-mos superterras - planetas com órbitas que duram cerca de 100 dias e com centenas de vezes a massa da Terra.

No entanto, no nosso sistema, tais planetas não existem. Tal facto, argumenta o estudo, deve-se à migração orbital de Júpiter. Os investigadores, Konstantin Batygina e Greg Laughlinb, teorizam que após a formação de Saturno, Júpiter voltou a recuar, desviando-se da sua rota de colisão com o Sol e tomando a posição orbital que demonstra atualmente.

Esta mudança de direção pode ter colocado Júpiter em rota de colisão com eventuais jovens planetas, destruindo-os.

«É a mesma coisa que nos faz preocupar com colisões de satélites na baixa órbita terrestre. Os seus fragmentos começariam a chocar uns com os outros, aumentando o risco de uma reação em cadeia», afirmou Gregory Laughlin em comunicado.


Júpiter é o planeta mais volumoso do Sistema Solar, com um volume que é cerca de 1321 vezes maior que o da Terra. O planeta é tão grande, que a sua massa é cerca de duas vezes e meia maior que a do conjunto de todos os outros planetas do sistema solar. A sua dimensão, massa e densidade conferem-lhe a capacidade de suportar esses impactos.

O estudo propõe ainda que os destroços desses eventuais planetas destruídos por Júpiter terão migrado em direção ao Sol, originando novos planetas - Mercúrio, Vénus e Terra. Esta hipótese confere ainda uma explicação para o facto de estes três planetas serem muito mais jovens que os restantes no sistema solar.