Astrónomos descobriram uma galáxia distante a comer sofregamente gás nas suas imediações, provando a teoria de que galáxias atraem e devoram material muito próximo delas para crescer e formar estrelas, informou esta quinta-feira o Observatório Europeu do Sul (OES).

As observações efetuadas com o telescópio VLT do OES «mostram o gás a cair em direção à galáxia, o que cria um fluxo que alimenta a formação estelar, ao mesmo tempo que impulsiona a rotação da galáxia», refere em comunicado o Observatório, organização da qual Portugal é um dos países-membros.

Segundo a nota do OES, «esta é a melhor evidência observacional direta, até agora, que apoia a teoria de que as galáxias atraem e devoram material próximo, de modo a crescerem e formarem estrelas».

Os resultados da descoberta serão publicados na edição de sexta-feira da revista Science.

O telescópio VLT foi usado para estudar «um alinhamento muito raro» entre uma galáxia longínqua e um quasar ainda mais distante. O quasar define-se como «o centro extremamente brilhante de uma galáxia alimentado por um buraco negro de elevada massa».

A radiação emitida pelo quasar passa através da matéria que circunda a galáxia, antes de chegar à Terra, o que, de acordo com o OES, «permite explorar em detalhe as propriedades deste material».

«Sem a luz do quasar a atuar como uma lupa, não teria sido possível detetar este gás circundante», assinala o Observatório.

À medida que formam novas estrelas, as galáxias esgotam rapidamente o seu reservatório de gás, por isso, salienta a nota do OES, «têm que, de alguma maneira, se reabastecer de forma contínua com gás novo para poderem continuar a produzir estrelas».

Os astrónomos suspeitavam que «a resposta a este problema» estivesse na quantidade de gás frio que «se situa nos arredores das galáxias, devido à sua atração gravitacional». Neste cenário, adianta o Observatório, a galáxia «atrai o gás, o qual circula à sua volta, rodando com a galáxia antes de cair para o seu interior».

Michael Murphy, investigador da Universidade de Tecnologia de Swinburne, em Melbourne, na Austrália, realça que «as propriedades do enorme volume de gás circundante são exatamente» as que a equipa esperava encontrar se o gás frio estivesse a ser atraído pela galáxia.

«Esta galáxia, em particular, tem um apetite devorador e nós descobrimos como é que se está a alimentar de modo a crescer tão depressa», conclui.