A ameaça passou da teoria à prática. Os piratas informáticos que roubaram os dados do site de infidelidades Ashley Madison publicaram mesmo os dados dos utilizadores na Internet. 

Não é possível encontrá-los através dos motores de pesquisa comuns, como o Google. Estão na chamada dark web, a Internet obscura, e só podem ser vistos com o browser especial Tor, explicou Per Thorsheim, um especialista em segurança informática da Noruega, que é citado pela CNN. 

Não só os nomes dos clientes, mas também os seus endereços de correio eletrónico e moradas foram revelados. E até os quatro dígitos de cada transação feita com cartão de crédito, bem como quanto cada cliente gastou nos últimos sete anos. Tudo foi posto a nu. 

No total, e segundo o site de tecnologia Wired, foram despejados na Net cerca de 9,7 gigabytes relativos a 32 milhões de utilizadores. O Wired cita um comunicado dos hackers, denominados "Impact Team", que dizem que publicaram os dados pelo facto de a Avid Life Media, proprietária do Ashley Madison, não ter encerrado o site.

"Explicámos a fraude, o engano e a estupidez da ALM [Avid Life Media] e dos seus membros. Agora toda a gente pode ver os seus dados"


Os piratas ironizam, no mesmo comunicado, sobre o facto de a esmagadora maioria dos utilizadores ser do sexo masculino (90% a 95%). 

"Encontrar alguém que você conheça aqui? Tenha em mente que o site é uma farsa com milhares de perfis femininos falsos. Provavelmente, o seu companheiro inscreveu-se no maior site de casos do mundo, mas nunca teve um. Só tentou. Se é que esta distinção importa".


Em Portugal, existem 120 mil membros do website, onde estão inscritas mais mulheres do que homens. 

O último comunicado dos piratas continua a ironia, deixando mesmo um conselho aos infratores: "Encontrar-se a si próprio aqui? Foi a ALM que falhou consigo e lhe mentiu. Vá atrás deles e reclame. Depois, siga a sua vida. Aprenda a lição e corrija os seus erros. Agora é embaraçoso, mas vai superar isto". 

A dona do Ashley Madison, que tem como slogan "A vida é curta. Tenha um caso", já condenou os hackers, dizendo que os seus atos são "ilegítimos" e têm "consequências reais para a vida de cidadãos inocentes". 

E para além disso, defende que divulgar fotos privadas ou questões do foro pessoal no espaço público é um crime. "Ninguém tem o direito de roubar e revelar informação para o público com um objetivo sinistro e embaraçoso".

Por isso, a Avid Life Media pediu ao FBI para investigar o caso, bem como às autoridades policiais do Canadá.
O ataque informático foi revelado, pela primeira vez, há um mês. E a ameaça que se seguiu foi cumprida.