Dúvidas desfeitas, talvez parcialmente, por uma equipa de arqueólogos que encontrou um antiquíssimo papiro, no qual é contado o processo de transporte dos milhares de pedregulhos de calcário usados para a construção da pirâmide do faraó Quéops, a maior do complexo funerário de Gizé, situado a cerca de 20 quilómetros da capital egípcia, o Cairo.

Durante anos, divergências geraram várias teses sobre a construção das pirâmides. Agora, uma equipa liderada por Pierre Tale, que passou quatro anos a decifrar o papiro, confirma que as pedras foram mesmo transportadas por barcos construídos para o efeito, através de canais criados no rio Nilo.

Para construir a grande pirâmide de Gizé - túmulo do faraó Quéops, pai de Quéfren e avô de Miquerinos, que dão nome às duas outras grandes pirâmides - 170 mil toneladas de calcário foram transportadas através de barcos e de canais artificiais criados para o efeito

O túmulo de Quéops foi construído há 4.000 anos, 2.550 antes de Cristo. Já se sabia que as pedras de granito tinham chegado de um local a 800 quilómetros de Gizé e que as de calcário tinham sido cortadas a 13 quilómetros de distância, em Tura. As maiores dúvidas consistiam em perceber como tinham sido transportadas.

Desde o dia em que o descobrimos, tornou-se evidente que tínhamos o mais antigo papiro encontrado em todo o mundo", salientou o arqueólogo Pierre Tale, que produziu um documentário sobre a questão para a televisão britânica, Channel 4.

No papiro, escrito por um homem de nome Merer, que se identifica como armador, tendo a cargo 40 embarcações, refere-se que milhares de operários qualificados usaram barcos para navegar em canais escavados ao longo do Nilo para transportar as pedras calcárias.

Os barcos eram mantidos juntos por cordas grossas, algumas das quais foram encontradas junto do papiro, ainda num estado aceitável.

Depois de transportarem os pedregulhos, os operários egípcios descarregavam-nos para um porto interior a poucos metros da base da pirâmide.

No total, cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra foram assim transportados ao longo de duas décadas, para dar início ao complexo fúnebre de Gizé, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, e hoje, a maior atração turística do Egito.