Um icebergue, com cerca de seis mil quilómetros quadrados, desprendeu-se da Antártida. A informação foi confirmada, esta quarta-feira, quando um satélite americano observou o bloco gigante, enquanto passava por uma região conhecida como plataforma de gelo Larsen C.

A separação do icebergue já era esperada pelos cientistas, que há mais de uma década estavam a acompanhar o desenvolvimento de uma fenda no gelo de Larsen.

Desde 2014, a fissura estava a aumentar a um ritmo mais rápido, portanto, a separação do bloco de gelo gigante era uma questão de tempo.

Uma vez que o icebergue tem 200 metros de espessura, não é provável que se mova para muito longe, num curto espaço de tempo. Contudo, terá que ser vigiado, porque correntes e ventos podem empurrá-lo para o norte da Antártida, o que pode tornar-se perigoso para a circulação no mar.

Em 2016, cientistas britânicos alertaram que a fissura estava a aumentar de forma rápida. Em dezembro desse ano, o ritmo avançou para patamares nunca antes vistos, aumentando 18 quilómetros, em duas semanas. Nessa altura, os cientistas já sabiam que o gigantesco icebergue estava prestes a desprender-se, uma vez que apenas 20 quilómetros de gelo o impediam de se soltar.

Imagens registadas em dezembro mostravam extensão da fenda

O maior avanço registou-se, contudo, entre 25 e 31 de maio deste ano, quando a fenda se propagou por mais 16 quilómetros e se percebeu que apenas 13 quilómetros impediam a plataforma de se desprender do continente.

De acordo com os cientistas, o fenómeno é mais geográfico do que climático. A fenda já existe há décadas, mas só há pouco tempo aumentou durante um período específico. Os cientistas acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável rutura do icebergue, mas não têm evidências suficientes para fundamentar essa teoria.

O cientista Adrian Luckman explicou à BBC, em 2016, que, como o icebergue flutua, não vai aumentar o nível da água do mar, mas que o surgimento de novas plataformas pode acabar por dar origem a glaciares, que se podem desprender em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não será flutuante, o nível da água do mar pode ser afetado.

Segundo as estimativas, se todo o gelo da plataforma Larsen C derreter, o nível do mar aumentaria cerca de 10 centímetros. Contudo, essa mudança iminente, nos contornos da Antártida, não é certa.

A fenda na plataforma de gelo Larsen C passou a ser seguida com mais atenção pelos especialistas por causa do colapso das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002, que aconteceu de forma semelhante.