Um estudo de três universidades portuguesas concluiu que a luta contra as alterações climáticas é «mais eficaz» se forem «múltiplas» instituições de pequena dimensão a efetuarem ações de fiscalização e não apenas uma única. A Universidade do Minho assina, com a Universidade de Lisboa e com a Técnica, o estudo publicado esta quarta-feira na revista «Nature Climate Change».

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Universidade do Minho revela que a investigação propõe «claramente» que se reveja o atual sistema, no qual a monitorização das alterações climáticas é «baseada» na Organização das Nações Unidas.

Intitulado «A bottom-up institutional approach to cooperation in the governance of risky commons», o artigo resulta do estudo do efeito da criação de instituições de supervisão locais, «numa arquitetura policêntrica», em comparação com o estabelecimento de uma única instituição global.

«A luta contra as alterações climáticas é mais eficaz com múltiplas instituições de fiscalização de pequena dimensão. Tal permite a cooperação estável, o respeito pela maioria dos acordos e um risco de fracasso médio-baixo», refere o comunicado.

De acordo com a academia minhota, os cientistas envolvidos «propõem claramente a rápida revisão da monitorização baseada numa só instituição - como a Organização das Nações Unidas - para enfrentar um problema tão complexo». O estudo aponta assim como «mais eficiente» para a cooperação global uma «abordagem bottom-up (de baixo para cima), policêntrica, envolvendo diversas instituições».

O investigador e coordenador do estudo da Universidade do Minho, Jorge Pacheco, explica no texto que, «se a maioria das causas das alterações climáticas resulta da ação combinada de todos os habitantes, indiciando uma tentativa de resolução global, as soluções podem ser mais facilmente conseguidas a uma escala muito menor».

Aquele investigador, em parceria com os investigadores Vítor Vasconcelos e Francisco Santos, «analisou diferentes tipos de instituições criadas para lidar com aqueles que não contribuem (ou deixam de contribuir) para prevenir as alterações climáticas potencialmente catastróficas e mostraram qual o impacto de diversos tipos de instituições na criação e sustentabilidade de um futuro consenso».

Feito com base em «modelos matemáticos e computacionais baseados em teoria de jogos», a investigação «definiu o problema como um dilema de bens públicos, no qual a perceção do risco de perdas futuras é tipicamente baixa, em especial para os elementos que ocupam posições chave na decisão».

O modelo, aponta o texto, teve em conta as «interações que os países podem ter uns com os outros em grupos de vários tamanhos e também a criação de instituições menores financiadas por grupos mais pequenos».

De acordo com Jorge Pacheco, «nas cimeiras mundiais, desde Quioto a Durban, pouco se tem evoluído no controlo dos efeitos humanos no clima», consequência da «falta de instituições» para monitorizar os acordos e «punir» os países não cumpridores. «Cremos que, com o estudo, fizemos avanços claros neste âmbito», sublinha Jorge Pacheco.