A possibilidade de algumas aplicações do Facebook acederem aos dados constantes no seu perfil não é de todo uma novidade. Mas a verdade é que a esmagadora maioria das pessoas só toma consciência das consequências que isso pode ter, depois de tomar conhecimento de escândalos como o que envolve agora a rede social de Mark Zuckerberg e a empresa de consultoria Cambridge Analytica.

O escândalo revelado no último fim de semana vem acordar consciências para o facto de, com um simples clique, podermos estar a fragilizar a privacidade das nossas contas no Facebook, mas também das dos nossos amigos virtuais. Não é demais lembrar que a aplicação thisisyourdigitallife, que está no centro da polémica, só foi descarregada por 270 mil utilizadores, mas conseguiu recolher dados de cerca de 50 milhões de pessoas. Ou seja, a app foi “beber” informação aos amigos virtuais dos utilizadores que a descarregaram.

Um simples clique seu pode permitir a uma determinada aplicação que aceda aos seus dados pessoais, às páginas que segue, aos gostos que coloca, aos artigos que abre através do Facebook, aos vídeos que vê, ao que partilha e também a toda esta informação relativamente aos seus amigos.

Por isso, por mais interessante e divertido que lhe pareça saber qual o país onde deveria viver de acordo com o seu perfil, qual seria o seu aspecto se fosse do sexo oposto ou o que diz o seu nome sobre si, pense duas vezes: está a por a nu informação sobre si (que pode até nem ser sigilosa, mas pode ser usada de uma maneira da qual discorda) e pode estar a por a nu também informação dos seus contactos.

Isto estende-se não só a aplicações que usa através do Facebook, como os testes semelhantes ao criado por Aleksadr Kogan, mas também a apps utilitárias que eventualmente tenha descarregado para o seu smartphone e nas quais tenha entrado com a conta do Facebook. Isso inclui, por exemplo, apps de controlo de exercício físico ou aplicativos de viagens.

É certo que entrar numa determinada aplicação carregando apenas no botão “Entrar com o Facebook” ou “Registe-se através do Facebbok” é muito mais tentador do que preencher um formulário inteiro. Mas, por mais cansativo que lhe pareça, esse formulário será o primeiro passo a dar para proteção da sua pegada facebookiana.

O que fazer para proteger a sua privacidade?

Os conselhos e os alertas que lhe demos até agora servem para se prevenir de agora em diante. Mas o que fazer em relação às aplicações que tem instaladas?

Em primeiro lugar, faça uma ronda por todas essas aplicações e pense se precisa mesmo delas ou se o mais sensato não será apagá-las.

E apagar essas aplicações faz-se em cinco passos:

1 – Uma vez na sua conta do Facebbok, clique o ícone com o ponto de interrogação no canto superior direito da janela e carregue “Verificação de privacidade”.

2 – Para aceder à lista de aplicações, salte o passo seguinte, clicando em “Próximo”. É capaz de se surpreender com a quantidade de “coisas” que subscreveu.

3 ‒ Para as eliminar, é só carregar no "X", que está à frente de cada uma delas.

4 – Clique em "Seguinte".

5 – Clique em "Terminar" e todas as aplicações que eliminou serão desativadas.

Tem ainda outra forma de o fazer:

1 - Aceda às “Definições” através do triângulo que abre o menu, no canto superior direito da janela;

2 - No menu à esquerda, selecione "Apps"

3 – Vai aparecer-lhe a lista das aplicações às quais está ligado através do Facebook

4 – Se passar o rato sobre o ícone de cada uma dessas aplicações, vai aparecer-lhe algumas opções a sombreado, incluindo o "X" onde pode carregar para eliminar a aplicação

 

Se apagar uma determinada app, não impede o seu criador de manter os dados que entretanto já conseguiu recolher, mas ainda pode ir a tempo de proteger-se daqui para a frente e, sobretudo, a proteger os dados dos seus amigos.

Mas, em alternativa ao "X", se fizer mesmo questão de manter determinada aplicação, pode gerir opções sobre quem a pode ver e a que dados pode aceder. E pode até contactar o produtor dessa app para se informar melhor sobre os dados que possui sobre si e da utilização que está ou pretende fazer deles.