Os jogos para crianças, muitos disponíveis online de forma gratuita, cujo objetivo passa por realizar cirurgias plásticas ou outro tipo de procedimentos estéticos estão a gerar polémica. Pais e especialistas consideram que este tipo de jogos passam uma mensagem "potencialmente perigosa" aos mais pequenos, pelo que foi criada uma petição online, exigindo à Apple, Google e Amazon que alterem os critérios de acesso destas aplicações nas suas plataformas.

Em causa estão jogos como Beauty Clinic Plastic Surgery ou Plastic Surgery Simulator que simulam as mais variadas intervenções, como lipoaspiração, rinoplastia (nariz) ou preenchimento labial em personagens animadas e coloridas, que naturalmente atraem as crianças. Contudo, de acordo com o conceituado cirurgião plástico nova-iorquino David Cangello, "a cirugia estética é um tópico complexo, ao qual as crianças não devem ser expostas, uma vez que pode afetar negativamente a sua autoestima".

Não é saudável ensinar os nossos filhos sobre isto numa idade tão precoce", disse o médico à CNN. 

Também Christine Elgersma, da organização sem fins lucrativos Common Sense Media, que promove a educação em famílias mais carenciadas, tem uma opinião semelhante, já que afirma que este tipo de jogos não são adequados às crianças, podendo mesmo ser perigosos.

O contéudo [das aplicações] não é adequado ao desenvolvimento de crianças pequenas. É confuso, assustador e passa uma mensagem potencialmente perigosa", defendeu Christine, também em declarações à estação norte-americana. 

Na sequência das várias reivindicações de pais, organizações e especialistas foi criada uma petição pública online, por parte da organização Endangered Bodies London, dirigida à Apple, Google e Amazon para que este tipo de aplicações tenham critérios de acesso mais rígidos, nomeadamente em relação à idade.

Estas aplicações de cirurgia plástica, que promovem a insatisfação e a vergonha do próprio corpo, não devem ser comercializadas para jovens vulneráveis. Embora em alguns casos os pais possam impedir o acesso a estes jogos, acreditamos que é necessária uma ação adicional. Por isso, pedimos à Apple, Google e Amazon que criem um limite de idade"lê-se no site da petição, que conta já com mais de 132 mil assinaturas. 

A contestação chegou aos ouvidos das empresas, sendo que a Apple e Google foram as únicas a tomar as primeiras medidas. 

Não queremos nem permitimos esse tipo de aplicações na nossa loja. Temos regras em vigor contra essas aplicações e não as oferecemos na nossa App Store", garantiu Tom Neumayr, porta-voz da Apple à CNN.

Já a Google indicou à mesma fonte que tem levado o "feedback da comunidade muito a sério" e que estão a trabalhar para garantir que estas aplicações estão em conformidade com as suas políticas.