O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente assegurou esta terça-feira que Portugal está "no bom caminho" para cumprir as metas de redução das emissões de gases no setor dos transportes até 2020, mas salientou que “não se pode desviar”.

De acordo com a Lusa, José Mendes falava durante o 12º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes (ADFERSIT), que tem como tema “i9.transportes Visão 20/30”.

De acordo com o governante, para transformar as atuais frotas de transporte em frotas mais sustentáveis, “há um exercício que está a ser feito – não é um exercício simples – de negociação com a Comissão Europeia, de podermos, de alguma forma, financiar esta metamorfose”, que passa pela substituição dos atuais veículos por outros a gás ou elétricos, com mais baixos níveis de emissões.

“Evidentemente, não é claro que possamos auxiliar a aquisição de veículos ‘tout court’, porque são ajudas a operadores privados, mas o que se está a trabalhar é o auxílio ou o apoio na diferença entre [o preço de] um veículo que seria adquirido de combustão interna, por exemplo, e um veículo de gás natural ou elétrico”, explicou.

Portugal tem como objetivo reduzir 14% das emissões de gases com efeitos estufa até 2020, face a 2005, no setor dos transportes, acrescentou.

O secretário de Estado reafirmou como pilares da política de mobilidade e de transportes do atual Governo a reorganização dos transportes, com a descentralização deste sistema para as autarquias, e a reorganização da cadeia modal das deslocações, onde a descarbonização, a mobilidade suave e a intermodalidade são critérios centrais.

No âmbito da mobilidade elétrica, José Mendes salientou que até ao final do ano deverão ser instalados mais 49 pontos de carregamento rápido, que permitirão a estes veículos “circular por todo o país”, e a possibilidade de a administração pública adquirir 170 veículos elétricos, no âmbito da renovação da sua frota, “para dar o exemplo”.

Veículos inovadores e carros que nem precisam de condutor tiveram destaque esta terça-feira de manhã no 12.º congresso da ADFERSIT.

O congresso junta especialistas na área dos transportes e da mobilidade, para refletir como é que as novas tecnologias podem ajudar a mobilidade das pessoas nas cidades ou baixar o custo do transporte das mercadorias.

A 21 de abril, o Conselho de Ministros aprovou o Programa Nacional de Reformas (PNR), segundo o qual o Governo prevê investir, até 2020, cerca de 485 milhões de euros na expansão da rede de metro em Lisboa e no Porto, na substituição de autocarros, na renovação de veículos elétricos e no sistema de bicicletas partilhadas.

No PNR, está prevista a organização do setor de transportes públicos coletivos rodoviários, que inclui a revisão do modelo de governação do setor entre a administração central e local e a substituição de 500 veículos até 2018.

O objetivo é “assegurar uma eficiente articulação entre o poder central e local e com os vários intervenientes”, lê-se no documento, que acrescenta que o Estado vai investir neste setor 99 milhões de euros, dos quais 60 milhões através do programa comunitário Portugal 2020.