Um estudo desenvolvido no Porto mostra que as crianças mais baixas e com menos gordura e músculo desenvolvem um padrão postural retificado (coluna reta) enquanto as mais altas e pesadas, apresentam uma coluna com curvaturas aumentadas.

Os resultados do estudo, desenvolvido pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), indicam ainda que as crianças com o padrão postural retificado apresentam um esqueleto menos resistente - menor conteúdo mineral e menor densidade mineral óssea - do que aquelas que têm um padrão postural de curvaturas aumentadas.

Esta investigação tinha como objetivo demonstrar a existência de uma associação entre as propriedades físicas do osso e o desenvolvimento de diferentes tipos de postura, bem como o papel das quantidades de gordura e de músculo corporais nessa relação.

Para obtenção dos dados, foram analisadas 1.138 raparigas e 1.260 rapazes, com sete anos de idade, pertencentes à Geração XXI - projeto iniciado em 2005, que acompanha o crescimento e o desenvolvimento de mais de oito mil crianças nascidas em hospitais públicos da Área Metropolitana do Porto.

De acordo com o investigador do ISPUP Fábio Araújo, não é "absolutamente claro" qual desses padrões é o "mais favorável", do ponto de vista clínico, principalmente em crianças onde muito pouco se sabe sobre o papel destas tipologias posturais relativamente aos sintomas musculoesqueléticos.

No entanto, segundo indicou à Lusa, tendo em conta unicamente as conclusões deste estudo, é possível defender que, relativamente à promoção das propriedades físicas do osso desde a infância, a postura de curvaturas aumentadas parece sem mais favorável e a mais indicada.

Para prevenir o aparecimento de uma postura retificada ou, então, promover ligeiramente o aumento das curvaturas da coluna, nos casos em que possa ser necessário, Fábio Araújo indica que pode-se recomendar um aumento de peso, mas apenas nas crianças que apresentem, efetivamente, peso baixo.

Nestes casos, a criança pode também ser avaliada por especialistas de reeducação postural, como fisioterapeutas, para alongar a musculatura que se apresente ligeiramente encurtada e, assim, potenciar um aumento das curvaturas da coluna, dentro dos limites fisiológicos que terá de ser adaptado a cada criança.

Segundo Fábio Araújo, nos casos de perfil postural de curvaturas aumentadas, existe uma relação "particularmente forte" entre a postura e as propriedades físicas do osso, verificando-se uma potenciação destas duas vertentes através de mecanismos de sustentação da posição de pé.

Como as crianças com este perfil têm mais peso, "necessitam de fazer mais força para o suportar contra a gravidade, o que faz com que as vértebras sejam comprimidas" e esse "stresse mecânico" promova a formação de mais tecido ósseo, "traduzindo-se em alterações da orientação vertebral" e formando "uma postura com curvaturas aumentadas", explicou.

Sabe-se, agora, que se o osso for afetado, o mesmo acontece com a postura, o que pode levar a problemas musculoesqueléticos, como o desenvolvimento de dores nas costas, esclareceu o investigador.

Se alterarmos a postura, poderemos conseguir influenciar a forma como o osso se desenvolve, o que pode ser importante para tratar problemas como a osteoporose", concluiu.

Esta investigação, coordenada pela investigadora do ISPUP Raquel Lucas e da qual fazem ainda parte Ana Martins, Nuno Alegrete e Laura Howe, deu origem a um artigo que foi publicado recentemente no versão 'online' da revista "The Spine Journal".