Amostras de sémen de participantes nas três últimas semanas académicas das universidades de Aveiro e Coimbra confirmaram que o álcool diminuiu a capacidade reprodutora, revela um estudo da Universidade de Aveiro divulgado esta quinta-feira.

A investigação liderada por Margarida Fardilha, do Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro, que teve por base a recolha de sémen antes e depois das semanas académicas, junto de cerca de uma centena de estudantes, conclui que a qualidade do sémen diminui com o aumento do consumo de álcool, ainda que num curto período de tempo.

As conclusões do estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) apontam não só para um decréscimo em 65 por cento na concentração de espermatozoides, como também para um aumento em 53 por cento de danos no DNA e morte das células reprodutores masculinas dos estudantes, após as festas académicos.

O trabalho, realizado com o estudo do Centro de Biologia Celular (CBC) da UA, adianta ainda que, relativamente ao período que antecede a participação nas semanas académicas, onde se verifica um aumento de oito vezes o consumo de álcool, o volume do sémen dos participantes não só diminuiu em 43 por cento como houve um aumento de 38 por cento de células reprodutoras com defeitos morfológicos, nomeadamente na cauda e na peça intermédia.

Apesar de existirem já vários estudos que indicam que o consumo prolongado de álcool e drogas diminui a capacidade reprodutora masculina, no que diz respeito a ingestões agudas durante um curto período de tempo o trabalho da UA é pioneiro.

Margarida Fardilha, coordenadora do trabalho e responsável pelo Laboratório de Transdução de Sinais do CBC, sublinha que «os resultados mostram que as alterações agudas no estilo de vida que ocorrem no decorrer da semana académica conduzem a um aumento nos níveis de marcadores apoptóticos nos espermatozoides [marcadores de danos no DNA e morte celular], a uma diminuição na concentração de espermatozoides e do número total de espermatozoides no ejaculado e no volume de sémen, assim como, um aumento dos defeitos morfológicos nos espermatozoides».

Numa terceira recolha de sémen, realizada aos estudantes três meses após a participação nas semanas académicas, a equipa de Margarida Fardilha registou que os valores estudados recuperam a normalidade mas a investigadora sublinha que «desconhece-se o efeito a longo prazo».

O estudo, que pretende compreender ao nível molecular e celular o efeito das alterações do estilo de vida na qualidade seminal, utilizando como modelo de estudo as festividades académicas, tem financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Margarida Fardilha recorda que em Portugal a taxa de natalidade decresceu para 1,5, abaixo da média de 2,1 necessária para manter os níveis populacionais.

«As consequências são dramáticas pois haverá menos mulheres em idade fértil, menos membros da família para cuidar dos idosos, as pensões aumentarão os gastos públicos e os trabalhadores serão mais velhos e menos adaptáveis, diminuindo a produtividade», antevê a investigadora.