Uma equipa internacional de astrofísicos anunciou esta quarta-feira, nos EUA, uma segunda deteção direta de ondas garvitacionais, quatro meses depois do anúncio da primeira observação do fenómeno, previsto há 100 anos, na Teoria da Relatividade Geral, do físico Albert Einstein.

A nova deteção, tal como a primeira, foi feita no Observatório de Interferometria Laser de Ondas Gravitacionais (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory, LIGO, na sigla em inglês), constituído por dois detetores idênticos, na forma de tubos com espelhos nas extremidades, situados a 3.000 quilómetros um do outro, nos Estados Unidos.

As ondas gravitacionais são pequenas ondulações no "tecido" espaço-tempo, provocadas pela deslocação de um corpo com massa, e que se propagam no Universo à velocidade da luz.

O fenómeno acontece com uma supernova (explosão de uma estrela em fim de vida) ou com duas estrelas de grande massa muito próximas uma da outra, assim como com a colisão de buracos negros (zonas do Universo das quais nada pode escapar, nem mesmo a luz, sendo por isso invisíveis).

As novas ondas gravitacionais, cuja deteção foi hoje anunciada, numa conferência em San Diego, nos Estados Unidos, foram produzidas por outra fusão de dois buracos negros, há 1,4 mil milhões de anos, precisaram astrofísicos.

O sinal das ondas foi captado a 26 de dezembro e, apesar de ser mais fraco do que o primeiro, detetado em setembro, mas anunciado posteriormente, em fevereiro deste ano, foi confirmado igualmente com 99,99 por cento de certeza.

Os dois buracos negros em causa tinham uma massa oito a 14 vezes maior do que a do Sol, para um diâmetro de menos de cem quilómetros.

A sua fusão gerou uma quantidade de energia equivalente à massa do Sol, que foi convertida em ondas gravitacionais, segundo os cientistas.

O novo sinal detetado pelo LIGO provém das 27 últimas órbitas de buracos negros, antes de colidirem.