Os cientistas descobriram uma nova espécie de baleia na ilha de St. George, no Estado norte-americano do Alaska. Esta espécie de baleia nunca foi vista viva e ainda não tem nome, noticia a CNN.

A baleia “misteriosa”, encontrada morta em 2014, na costa da ilha St. George, uma das Ilhas de Pribilof, no mar de Bering, é na verdade uma nova espécie.

O corpo da baleia não se parecia com nenhuma espécie conhecida até então, apesar de ter mais de sete metros de comprimento. Durante dois anos, a "identidade" do animal permaneceu um mistério até que uma equipa internacional de cientistas conseguiu agora resolver o quebra-cabeças. Trata-se de uma nova espécie de baleia, ainda sem nome.

A baleia encontrada morta no Alasca era parecida com uma baleia-bicuda-de-Baird, mas a carne era mais escura e tinha dois terços do tamanho daquela baleia comum, além de a barbatana dorsal ser muito grande e flexível.

Os cientistas concluíram agora que se trata de uma nova espécie de baleia, que nunca foi vista viva, de acordo com um estudo publicado na revista cientifica Marine Mammal Science.

A afirmação foi provada na semana passada por uma equipa internacional de cientistas que encontrou evidências genéticas de uma nova e rara espécie de baleia bicuda que percorre o Oceano Pacífico do norte do Japão até as Ilhas Aleútas do Alasca. As baleias bicudas estão entre as espécies de baleias menos conhecidas no oceano, pois mergulham milhares de metros para dentro de desfiladeiros profundos e bacias subaquáticas para se alimentarem de lulas e de peixes.

A nova espécie foi descoberta com uma complexa análise de ADN de 178 baleias bicudas da orla do Pacífico, sendo o tecido de algumas delas obtido de museus. A análise apresentou oito exemplos atualmente conhecidos que apontam para a nova espécie. Estas incluíram espécimes do Smithsonian Institution e do Museu da História Natural do Condado de Los Angeles, o esqueleto em exibição na escola secundária do Alasca.

O interesse pelas possíveis novas espécies surgiu de uma investigação japonesa anterior, que sugeriu a existência de uma baleia bicuda que era mais escura e que media dez metros de comprimento, o que é dois terços menos do tamanho das baleias bicudas de Baird mais comuns.

Durante décadas, baleeiros japoneses afirmaram ter avistado uma "baleia enigmática", a que chamavam "karasu" (palavra que em português quer dizer “corvo”), fazendo menção à cor preta do mamífero aquático.

Isso levou Phillip Morin, um cientistas de biologia molecular do Centro de Ciência de Pesca do Sudoeste do NOAA, e autor principal do novo estudo, a procurar por mais amostras genéticas que em definitivo responderiam se, de facto, se tratava de uma nova espécie.

Primeiro o cientista entrou em contacto com o Centro de Ciência de Pesca do Sudoeste, nos EUA, onde é guardada a maior coleção de tecidos de mamíferos marinhos. Aí Morin encontrou duas amostras que combinam com o ADN da nova baleia. Uma das amostras compatíveis era de uma baleia da espécie que habitava as Ilhas Aleútas do Alasca em 2004, cujo esqueleto atualmente está em exposição na Escola Secundária Unalaska. Em seguida, a mesma equipa visitou vários museus, centros de investigação e até procurou nos mercados de peixe japoneses onde a carne de baleia é vendida.

Mais recentemente, em 2014, os cientistas descobriram uma baleia bicuda morta nas águas de uma das Ilhas Pribilof no Mar de Bering. Os cientistas analisaram o ADN, mas mais uma vez ele não era compatível com nenhuma espécie conhecida até agora. Depois de recolherem todos os dados, os cientistas concluíram que a baleia certamente é uma nova espécie, que ainda precisa de ser denominada.

A descoberta de uma nova espécie deste tamanho deixa os cientistas perplexos sobre o que ainda pode estar escondido nas profundezas do oceano.