Um anel inteligente que se sincroniza ao telemóvel e que faz pagamentos bancários apenas com um aceno de mão foi uma das ideias hoje expostas pelas centenas de empresas que diariamente procuram investidores na Web Summit.

O protótipo do anel demorou seis anos a ser concebido mas a comercialização só deverá acontecer em março de 2018, disse à Lusa um dos fundadores da "start up" Icare Technologies (Ícaro, em francês), Fabien Raiola, de 26 anos, à margem da apresentação do produto.

"O nosso objetivo é facilitar a vida das pessoas e dar-lhes liberdade. Isto é o futuro", sublinhou Fabien durante o "pitch", apresentação que só pode durar até quatro minutos e que mereceu várias questões colocadas pelos potenciais investidores.

Numa primeira fase, o anel , batizado de "Aeklys", só será utilizado para pagamentos bancários, em substituição dos típicos cartões, mas a ideia é alargá-lo a mais funções, como para andar nos transportes públicos, por a trabalhar um carro elétrico ou servir de acesso a um quarto de hotel.

À margem da apresentação, Fabien Raiola contou ainda à Lusa que foi contactado pela multinacional Visa, a pedido da FIFA, que quer utilizar no próximo Campeonato do Mundo de Futebol, na Rússia, em 2018, um total de 3.000 anéis para fazer pagamentos e dar acesso a transportes públicos.

"Ainda não assinámos o contrato, mas está tudo encaminhado nesse sentido", revelou, sublinhando que o anel só pode ser usado pelo proprietário, ficando imediatamente desativado quando se tira do dedo.

O anel, que utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), permitindo a troca de informação sem fios e de forma segura, terá um custo de 50 euros, mas Fabien Raiola não revelou qual o custo envolvido na sua produção.

Raiola e Jeremy Neyrou, o outro fundador da empresa, já têm estabelecida uma parceria com doze bancos, na Europa e na Rússia.

A "start up" emprega dez pessoas em "full time" e terminou recentemente uma angariação de verbas de 2,6 milhões de euros.

Essa verba vai permitir-lhes preparar a fase de comercialização, que deverá arrancar em menos de seis meses.

A Web Summit decorre até quinta-feira, no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Segundo a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil 'startups', 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.