A central geotérmica da ilha Terceira, nos Açores, deverá avançar dentro de seis meses, anunciou hoje o presidente do Conselho de Administração da Eletricidade dos Açores (EDA), Duarte Ponte.

«Estamos convictos de que podemos avançar com uma central de 3 megawatts (Mw), porque existem neste momento três poços que têm capacidade produtiva», salientou, em declarações aos jornalistas, junto a um dos poços, no Pico Alto.

Terminaram hoje os testes de curta duração a quatro poços no Pico Alto e até março decorre um teste de longa duração ao poço que apresenta maior capacidade produtiva, para a EDA ter «certezas absolutas» de que é possível avançar com a central geotérmica, mas Duarte Ponte disse estar «convicto» de que os resultados serão bons.

O presidente da EDA disse também estar satisfeito com os resultados obtidos nos testes de curta duração, que mostraram uma evolução em relação aos anteriores.

«Este poço já tinha sido experimentado há quatro anos e teria uma capacidade per si de 3 Mw, mas agora podemos afirmar que existem mais dois poços também com capacidade produtiva», frisou.

Segundo Duarte Ponte, a construção da central geotérmica da Terceira deverá avançar em março, se os resultados do teste de longa duração confirmarem as expetativas.

«Já estamos a começar a pensar em desenhar o caderno de encargos do programa de concurso", frisou, acrescentando que paralelamente estão a ser feitos "mais testes e mais exames em termos de geofísica para conhecer melhor o modelo» que existe no Pico Alto.

A central, orçada entre 10 a 12 milhões de euros, terá um prazo de execução entre os 18 e os 24 meses e terá uma capacidade inicial para 3 Mw.

Duarte Ponte avançou que o objetivo da EDA é ter uma central de 10 Mw no local, o que implica a realização de mais furos, mas salientou que antes a empresa pretende «testar o recurso geotérmico».

"Estamos esperançados que no Pico Alto vamos ter também possibilidade de ampliar esta central", salientou, explicando que também em S. Miguel a central arrancou com 3 Mw.

O presidente da EDA sublinhou que o processo é «muito difícil» no início e tem um investimento «muito elevado», por isso, é necessário «tempo» para perceber se é possível avançar.

O aumento de energias renováveis nos Açores não deve, no entanto, traduzir-se numa redução da fatura da eletricidade, segundo Duarte Ponte.

«Apesar de isto contribuir para diminuir a nossa dependência do sistema nacional de compensações, e vai diminuir em muito, não podemos garantir que vamos baixar os preços», frisou, acrescentando que a energia é regulada a nível nacional e que a central geotérmica representa um investimento avultado.

Os primeiros estudos geofísicos para a construção de uma central geotérmica na Terceira tiveram início em 2000 e os primeiros poços foram abertos em 2007. Já foram investidos no projeto 28 milhões de euros, escreve a Lusa.