Os cientistas descobriram o parente mais antigo dos pássaros que hoje conhecemos. A descoberta do archaeornithura meemannae foi feita numa cidade no nordeste da China. Os investigadores da Academia de Ciências da China garantem que as aves representadas no fóssil remontam ao início do período Cretáceo, pelo que têm mais de 130 milhões de anos. 
 
Os investigadores da Academia de Ciências da China encontraram os exemplares fossilizados numa rocha e  transportaram-nos para o Museu de História Natural de Shandong, para os colaboradores de ambas as instituições os avaliarem.

As conclusões foram publicadas esta terça-feira na revista "Nature".

"Os investigadores usaram um martelo para abrir fendas na rocha e encontraram ossos lá dentro. Trouxemos os ossos e também partes da rocha para o museu para poderem ser estudados", explica Min Wang, investigador da Academia de Ciências da China em entrevista ao "The Guardian". 

As aves teriam o tamanho de um pardal. Através da análise do fóssil, de penas que ainda estavam intactas e também da imaginação, os investigadores fizeram uma reconstrução daquilo que acreditam que seria a ave. De acordo com essa reconstrução, a ave ostentava uma crista de penas e uma cauda em forma de leque. Cada asa terminava ainda com uma "asa bastarda", característica que é comum, por exemplo, aos falcões. O tamanho das pernas dá ainda aos cientistas indicações de que seria um pássaro que procurava alimentos em pequenos lagos ou cursos de água. 

"As penas são realmente lindas. É incrível como ficaram tão bem preservadas ao longo de 130 milhões de anos", afirma Wang. 

Apesar de descobertas recentes revelarem que a maioria dos dinossauros servia-se das asas apenas para controlar a temperatura corporal, as penas do archaeornithura tinham, devido à forma estratégica com que estavam sobrepostas, o objetivo de permitir o voo, acreditam os cientistas. 

"Pode ver-se a forma das penas nas asas. Elas têm uma forma curvada como as asas de avião que gera a sustentação", afirmou o paleontólogo da Universidade de Southampton, Gareth Dyke.

Quanto aos membros inferiores assemelham-se aos das aves modernas como os flamingos, o que leva os investigadores a suspeitar que se alimentava de plantas e areias de lagos, bem como de algumas pedras que ajudavam a triturar as sementes e outros materiais rijos. 

"Todas as aves vivas pertencem a um grupo chamado ornithuromorpha, cujas mais antigas espécies conhecidas têm 125 milhões de anos. Esta nova ave foi descoberta em depósitos com mais de 130 milhões de anos, o que nos leva a um recuo de tempo de pelo menos cinco milhões de anos", explicou Wang. 

Embora exista um pássaro da espécie archaeopteryx com 145 milhões de anos, que continua a ser a mais antiga ave conhecida, não tem descendente vivos. O   archaeornithura   é assim o pássaro mais antigo alguma vez descoberto, que tem descendentes ainda vivos.