A sonda espacial Philae, que aterrou no cometa 67P/ Churiumov-Gerasimenko em 2014, enviou para a Terra novas imagens, numa altura em que os cientistas estão a revelar detalhes surpreendentes da sua superfície.

As novas imagens mostram algumas marcas na superfície do cometa, semelhantes a pegadas, que se pensa terem sido deixadas pela sonda durante a aterragem. Especula-se também que o dispositivo tenha chocado contra uma pedra com um metro e 80 centímetros, o que pode ter contribuído para as dificuldades que enfrentou.

A sonda foi largada no espaço em novembro de 2012, quando se separou da nave Rosetta. O dispositivo aterrou no local certo, mas não conseguiu ancorar, caindo numa ravina. Apenas três dias depois da aterragem, o robô desligou-se.

Apesar disto, a sonda voltou a comunicar com a Terra no dia 24 de junho, retornando ao silêncio no dia 9 de julho. Os cientistas pensam que este tenha sido, provavelmente, o último contato com Philae.

“É um pouco frustrante ter uma sonda que está a funcionar na superfície de um cometa e não conseguir estabelecer contato com ela”, afirmou Stephen Ulamec, responsável pela missão Rosetta, acrescentando que vão continuar a tentar, uma vez que Philae “nos tem surpreendido vezes sem conta”.


As imagens recolhidas pela sonda têm sido analisadas pelos investigadores nos últimos meses, fornecendo pistas sobre o local da sua aterragem. Philae deve ter ficado presa num buraco, cercada por rochas e penhascos, deixando-a à sombra a impedindo que carregasse a bateria através da energia solar.

Mas, apesar dos desafios, as fotografias permitiram criar uma imagem da superfície do cometa e cartografá-la.

Para além disto, a sonda conseguiu recolher algumas moléculas da superfície do cometa, que foram analisadas por cientistas alemãs. Foram detetados 16 componentes orgânicos, quatro deles que se desconhecia que pudessem existir em cometas.

Os cientistas afirmaram também que foi detetado uma substância, denominada POM, que tem um papel importante na criação de química pré-biótica. Contudo, ainda não foi encontrada qualquer evidência da presença de aminoácidos, essenciais para a formação de vida.


Legenda: Imagem detalhada da superfície do cometa [Fonte: ESA]