E, ao segundo dia, a televisão clássica continua a ser debatida em paralelo com o ecossistema digital ao lado. Se o grosso dos negócios ainda se fazem em formatos tradicionais em UHD e editados para 25 minutos ou 52, no grande auditório já foi bem visível o contraste com os novos players. Desde logo hoje o Snapchat.

Mas por partes.

Produzir bom conteúdo hoje tem-se tornado mais fácil para os incumbentes produtores independentes. Aqui ao lado, na vizinha Espanha, a Atresmedia mostrou o potencial de apostar em produção própria na ficção, com várias apostas já exportadas para dezenas de países no mundo e derivando até em peças de teatro e livros, provando ser uma aposta ganha e bastante lucrativa. Mercedes Gamero, a responsável pelas vendas da empresa, explicou como os primeiros anos foram de investimento, sobretudo no aprender o que faz uma série funcionar em vários mercados, desde o Japão à Alemanha, ao Canadá e até à Colômbia. Hoje, tiram partido dessa curva de aprendizagem, exportando quer para plataformas tradicionais de Tv, Telcos e também para mercados onde opera o próprio Netflix.

Do lado da HBO, o homenageado CEO Richard Plepler, referiu compreender e estar de acordo com a compra da casa mãe, Time Warner, pela AT&T; nas suas palavras o cruzamento de dados permitirá à HBO compreender muito melhor os seus subscritores e espectadores e com isso criar conteúdo muito mais direcionado, evitando o churn e até ajudando a trabalhar na experiência digital da descoberta do conteúdo disponível, agora ligados a um ecossistema de telecomunicações e conteúdos integrados.

Por fim, o dia terminou em grande com 45 minutos de partilha pelo Snapchat de como a plataforma está a apostar nos conteúdos. Sean Mills, Head of Original Content da Snap Inc., empresa detentora do Snapchat, trouxe ao palco vários exemplos de programas que estão já online na plataforma: uma versão própria de “Cribs”da MTV, “Planet Earth II” com imagens nunca vistas no formato original de Tv, “ESPN College Day”, “Stay Tuned”, uma versão específica de “The Voice” ou ainda “The Update”, da CNN. A revelação logo pela manhã de uma joint-venture em partes iguais com a NBC Universal, para a criação de um estúdio, trouxe então ao Mipcom Lauren Anderson, o rosto feminino para comandar a operação. Sean Mills desmistificou que a plataforma esteja a querer entrar no terreno dos conteúdos clássicos, antes pelo contrário, sendo este passo precisamente porque consideram o tipo de narrativa no Snapchat tão específico que só acreditam funcione algo produzido nativamente para lá, desde a filmagem na vertical, aos emojis, às legendas, close-ups intimistas, duração curta e janelas divididas. 

Para uma audiência habituada a escolher entre o próximo Game Show, Talent Show ou Reality Show, foi sem dúvida uma espécie de Keynote alien que fechou este segundo dia. Mas que sem dúvida será para acompanhar. Até porque o Snapchat já soma 173 milhões de utilizadores ativos por dia, e quer crescer. Não foram revelados montantes de investimento no curto prazo, isto no dia em que se soube que pelo Netflix o valor de investimento em conteúdos originais subiu de 6,5 mil milhões de dólares em 2017 para 8 mil milhões em 2018. Outros campeonatos...