As florestas precisam de mais tempo do que os cientistas estimavam para recuperarem das secas, o que significa que afinal captam menos dióxido de carbono (CO2) que o calculado, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira.

Em consequência, o aquecimento do planeta é mais rápido que o antecipado nas simulações, dado o papel crucial desempenhado pelas concentrações florestais na absorção de C02, preveniram os investigadores autores do estudo publicado hoje na revista norte-americana Science.

As florestas captam enormes quantidades de CO2, o mais importante gás com efeito de estufa, libertadas na atmosfera, designadamente pela combustão de hidrocarbonetos. Esta componente chave da fotossíntese é a seguir armazenada pelos vegetais, que desempenham assim um papel importante na limitação do aquecimento global induzido pelas atividades humanas.

Mas os vegetais precisam em média de dois a quatro anos para recuperar uma taxa normal de crescimento depois do fim de uma seca. Antes deste estudo, a duração da recuperação era desconhecida para a maior parte das espécies de árvores.

Ao investigarem bases de dados sobre os anéis das árvores, os cientistas calcularam o tempo necessário até o tronco começar a crescer depois das grandes secas ocorridas após 1948, em mais de 1.300 florestas de todo o mundo.

Os anéis de um tronco constituem um excelente registo do crescimento de uma árvore e registam a captura de CO2 do ecossistema no qual crescem.

Segundo as suas descobertas, o crescimento dos troncos foi cerca de 09 por cento mais lento do que o normal durante o primeiro ano de recuperação e 05% no segundo ano.

“Esta descoberta muda as cosias porque as futuras secas devem ser mais frequentes e mais severas, devido precisamente às alterações climáticas”, explicou William Anderegg, professor adjunto de Biologia na Universidade do Utah.


Porque se as árvores precisam de mais tempo para recuperar de uma seca, a sua capacidade de armazenagem de CO2 é inferior à que os modelos climáticos incorporam para antecipar as alterações climáticas.

“Se as florestas não são tão eficazes a capturar o CO2, isso significa que o aquecimento global vai acelerar”, preveniu Anderegg.


Esta diferença no regresso à normalidade do crescimento florestal “não é insignificante”, uma vez que, ao longo de um século, pode representar menos 1,6 mil milhões de toneladas de CO2 capturadas, cerca de 3%, apenas pelas florestas situadas em sistemas semiáridos.

As emissões de CO2 atingiram 32,3 mil milhões de toneladas no mundo em 2014, segundo a Agência Internacional de Energia. Em 2013, só os EUA emitiram 5,2 mil milhões de toneladas.