O diretor do Observatório Astronómico de Lisboa disse hoje que as explosões solares que estão a ocorrer não atingem Portugal, nem provocam danos na saúde, só podendo existir «problemas residuais» em alguns satélites fora do país.

Em declarações à agência Lusa, Rui Agostinho explicou que o sol se encontra «num ciclo de atividade máxima, num pico de 11 anos», mas o fenómeno das explosões solares não vai provocar danos no país.

«O ser humano que vive à superfície está altamente protegido disto. O impacto na vida é, eventualmente, a possibilidade remota e muito localizada de haver uma falha na distribuição elétrica, mas em geral são casos pontuais», sublinhou Rui Agostinho.

Para o especialista, o caso pior de que tem memória ocorreu na zona norte dos Estados Unidos quando «uma central elétrica foi abaixo e levou mais outras tantas a zero», tendo-se produzido um apagão.

«Claro que as pessoas sentem isso. Estar horas ou dois ou três dias sem eletricidade na rede tem grande impacto. Mas tirando isto não há nada que afete pessoas ou animais», reiterou.

Rui Agostinho explicou que só os satélites que se encontram no espaço, fora dos dois escudos de proteção do planeta Terra - campo magnético e atmosfera terrestre - é que podem ter algum dano, frisando que as zonas que podem ser mais afetadas são os Estados Unidos e zona norte do Canadá e Rússia.

«Já estamos [Portugal) numa latitude muito próxima da linha do Equador em relação ao polo magnético, mas em certas situações, quando há injeção de massa coronal muito intensa, podemos assistir a fenómenos como auroras boreais», adiantou.

De acordo com a página oficial da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço), uma «área gigante do sol entrou em erupção a 26 de outubro, depois de seis explosões intensas desde dia 19».

Segundo a informação publicada na página, as explosões libertam «radiação poderosa», mas esta não «afeta fisicamente os humanos». No entanto, quando são «demasiado intensas, podem perturbar a atmosfera onde se encontram os sinais de GPS».

Rui Agostinho explicou que as explosões solares libertam «protões de alta velocidade» que se deslocam a 400 quilómetros por segundo e quando atingem a Terra e «impactam nos satélites que estão a orbitar o planeta (...) podem afetar a eletrónica que os controla».

«Se um satélite fica debilitado, pode afetar as suas funcionalidades e, como são caríssimos, o que muitas vezes acontece é que as agências espaciais desligam os seus circuitos vitais para os proteger e depois de passar a rajada de vento solar altamente energética voltam a ligá-los», explicou.

No entanto, Rui Agostinho reiterou que Portugal não tem «histórias nenhumas de impactos nas infraestruturas devido a tempestades provenientes do sol», adiantando que os únicos registos de fenómenos observados foram na década de 30, a ocorrência de auroras boreais.