O grafeno, impermeável ao gás e a líquidos, deixa passar os protões, uma «falha» que pode revolucionar a tecnologia das pilhas de combustível, revela esta quarta-feira um estudo publicado na revista Nature.

O protão é uma das partículas, a par do neutrão, que compõem o núcleo do átomo, que forma a matéria.

Mais resistente do que o aço e mais fino de que um cabelo humano, além de leve e quase transparente, o grafeno, que existe na grafite dos lápis, é constituído por átomos de carbono compactados, sendo considerado um excelente condutor de calor e de eletricidade.

O material foi isolado, pela primeira vez, há dez anos, por dois investigadores, Andre Geim e Konstantin Novoselov, que receberam o Prémio Nobel da Física em 2010.

Uma equipa de cientistas liderada por Andre Geim começou a fazer testes com protões (partículas subatómicas de carga positiva) e descobriu que estes passam facilmente através do grafeno, sobretudo a altas temperaturas, não obstante o material constituir uma barreira para os átomos mais pequenos que se conhecem, os de hidrogénio.

A descoberta faz do grafeno um bom candidato para ser usado como membrana condutora de protões, elementos importantes para a tecnologia das pilhas de combustível, que transformam a energia da molécula de hidrogénio em eletricidade, para alimentar, por exemplo, um automóvel. A tecnologia continua cara e a necessitar de aperfeiçamentos.

«Esta descoberta poderá revolucionar as pilhas de combustível e outras tecnologias baseadas no hidrogénio, porque necessitam de uma barreira que só os protões - átomos de hidrogénio livres de eletrões - são capazes de superar», assinalou hoje, citada pela agência AFP, a Universidade de Manchester, no Reino Unido, que participou no estudo divulgado na Nature.


Portugal, através da Universidade do Minho, faz parte de uma plataforma europeia para o estudo do grafeno, The Graphene Flagship, que inclui 76 grupos de investigação do meio académico e industrial de 17 países.