Um cientista português concluiu que os filamentos, como que «autoestradas», existentes em todo o universo são importantes para a formação e evolução das galáxias, acelerando o seu processo de desenvolvimento, conhecimento que abre uma nova área de investigação.

Este trabalho «permitiu, pela primeira vez, perceber que os filamentos são altamente importantes para a maneira como as galáxias evoluem, basicamente aceleram o processo de evolução de uma galáxia», disse esta terça-feira à agência Lusa David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Observatório de Leiden.

«Estes filamentos são estruturas gigantes que achamos que existem por todo o universo, à maior escala possível, são feitos sobretudo de matéria escura e esta organiza-se em estruturas, em 'enxames' de galáxias, pontos muito densos e outros menos densos», explicou o investigador.

A ligar os vários 'enxames' de galáxias existem estes filamentos gigantes, uma espécie de 'autoestradas' que ligam as várias 'cidades' do universo.

Os cientistas queriam perceber como a estrutura cósmica, a rede cósmica, e em particular os filamentos que a compõem, podiam ou não afetar a maneira como as galáxias, como a Via Láctea, se formam e evoluem.

«Parece que estes filamentos são muito importantes para transformar galáxias relativamente saudáveis, como a nossa, em galáxias mortas, à medida que vão, talvez, sendo contidas pelos filamentos até chegarem aos centros destas grandes 'cidades'», referiu o cientista que faz parte do grupo de investigadores, das universidades de California, Edimburgo e Durham, responsáveis pelo trabalho, agora publicado no Astrophysical Journal.

Os filamentos ligam zonas do universo em que 'residem' centenas de milhões de galáxias, num volume muito pequeno, e estes 'enxames', grandes 'metrópoles', são muito distantes, mas são ligadas por megafilamentos, especificou.

David Sobral apontou que as galáxias que estão nas cidades «são sobretudo mortas, têm muito pouca atividade, com muitas estrelas, mas tiveram toda a sua atividade no passado».

As galáxias que se formam nos filamentos, «ao terem uma evolução acelerada, gastam muito mais rapidamente o combustível, formam mais estrelas, e quando chegam às 'cidades' já têm muito pouco combustível para continuar a formar estrelas e, daí, a probabilidade de se apresentarem como mortas aos nossos olhos», relatou o cientista.

O trabalho do grupo de David Sobral, que «abre uma nova área de investigação», utilizou dados dos melhores telescópios do mundo.

«Enquanto antes estávamos apenas concentrados em olhar para galáxias em 'cidades' e galáxias no 'campo' [ambientes muito pouco densos], apercebemo-nos o quão relevante é esta espécie de densidade intermédia, sobretudo porque é uma coisa global que existe em todo o universo, esta rede cósmica», realçou.