Uma equipa de cientistas da universidade norte-americana Johns Hopkins, onde se inclui o português Raul Saraiva, identificou uma bactéria na flora intestinal do mosquito transmissor que pode bloquear a transmissão da dengue e da malária.

A investigação, dirigida por George Dimopoulos e que foi publicada na revista «PLOS Pathogens», indica que uma bactéria isolada do intestino do mosquito transmissor da dengue (aedes aegypti) pode reduzir «significativamente» os níveis de infeção pelo parasita da malária e pelo vírus da dengue.

Os investigadores isolaram previamente uma bactéria extraída do mosquito aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, e analisaram a sua ação nos mosquitos e nos agentes infecciosos causadores das duas doenças.

Segundo a investigação, ao adicionar a bactéria Chromobacterium (Csp_P) ao néctar que alimenta os mosquitos, ela coloniza rapidamente o intestino dos dois vetores de transmissão da malária e do dengue, o anopheles gambiae e aedes aegypti, respetivamente.

A adição deste probiótico conduziu a uma redução da suscetibilidade dos mosquitos à infeção com o parasita da malária e com o vírus da dengue.

A presença da bactéria também resultou num encurtar do tempo de vida dos mosquitos adultos ou ainda enquanto larvas em ambas as espécies.

Os cientistas testaram ainda a atuação da bactéria sobre os agentes da malária e da dengue e descobriram que através da produção de metabolitos tóxicos, pode inibir o crescimento nas várias fases do ciclo de vida do parasita, e também abolir a infecciosidade do vírus da dengue.

Os autores do estudo sugerem que a partir destes metabolitos tóxicos podem ser desenvolvidas medicamentos contra a malária e a dengue.

«O amplo espectro anti-patogénico, juntamente com a capacidade de matar os mosquitos, fazem da bactéria Csp_P uma candidata particularmente interessante para o desenvolvimento de novas estratégias de controlo das duas doenças mais importantes que são transmitidas por mosquitos, merecendo, por isso, estudos complementares», adiantam os cientistas no texto de apresentação da investigação.

«Em tempos em que muito se fala de ébola, convém não esquecer que se registam mais de 200 milhões casos de malária por ano, que resultam em mais de 600 mil mortes, 90 por cento das quais ocorrem precisamente na África subsariana e em crianças com menos de 5 anos de idade», lembrou o investigador português Raul Saraiva, numa declaração enviada à agência Lusa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em cada ano se registem entre 50 e 100 milhões de infeções pelo vírus da dengue no mundo.

Cerca de 500 mil pessoas que sofrem de dengue grave precisam de hospitalização e, de entre estes, morrem aproximadamente 2,5 por cento.