Em fecho de mercado, um dos painéis do dia debateu sobre a tecnologia que cada vez mais, hoje, está por detrás daquilo que vemos. No painel de oradores, estavam a empresa norte-americana Turner e o responsável de marketing da TiVo, plataforma tecnológica que oferece soluções ao mercado tais como aquelas que hoje temos nas nossas boxs lá de casa e desenvolvidas também pelo Meo, Nos, Vodafone e Nowo: EPG, restart, videoclube, etc.

Desafio: como descobrir conteúdo novo. Em média as pessoas demoram 20 minutos quando não sabem o que ver e vão navegando pelo catálogo existente. A necessidade por isso é hoje dotar estas plataformas de suficiente metadados, machine learning, data mining e inteligência artificial para que num futuro próximo seja mais fácil e eficaz encontrar aquilo que não sabemos existe mas vamos gostar.

O impacto passará por pesquisas feitas por voz e em expressões ditas “naturais”. Ninguém pesquisa por “Filmes > Comédia > Últimos > Populares”. Isso é browse. Antes, é muito mais natural perguntar “mostra-me filmes giros e divertidos de ação e com atores populares, dos últimos meses”. Esta pesquisa a-la Siri será tudo menos estranha daqui por alguns anos. Por voz e até por imagem.

Por fim, coube ao Facebook ficar com parte das honras de manchete do dia, com a explicação mais detalhado da sua plataforma Watch. Depois do eCommerce, onde já temos o concorrente do OLX dentro do próprio Facebook, chamado Marketplace, chegou a vez de enfrentar a Tv. O Watch será uma tab dentro do Facebook destinada só a programas de televisão. Se no momento a maioria dos programas existentes (só nos E.U.A.) é paga e produzida em articulação com o Facebook, o que a empresa de Mark Zuckerberg pretende é nos próximos anos combater por um lado o ecossistema da Google, no Youtube, mas sobretudo sair do mercado do vídeo (e do dinheiro) digital e entrar no de Tv. Para isso abrirão portas para que todos os criadores e produtoras possam distribuir e vender publicidade no Facebook, com programas que vão para além do 1 minuto que hoje são os clipes que vemos no newsfeed. Para além dos dólares, o objetivo é conseguir aumentar a retenção na plataforma dos seus 2 mil milhões de utilizadores bem como conseguir tempos de permanência maiores, daí o apelo a formatos de média duração (10, 20 e mais minutos).

Nas palavras dos próprios, porque não daqui a 3 anos ter o próximo grande fenómeno televisivo a ser visto por 2 mil milhões no Facebook?

Os dados estão lançados. O tempo o dirá. E sobretudo o público.