Foi há 10 anos. Uma década de YouTube. Registado a 15 de abril de 2005, o domínio www.youtube.com teve o seu vídeo de estreia uma semana depois, a 23 de abril. O dia mundial do livro partilha a data com o fenómeno digital que cresce e cresce a cada ano que passa. Ninguém diria que começou com um vídeo de um rapaz à frente de elefantes, no zoo.
 
Isso mesmo: são 18 segundos, no Zoo de San Diego, de um vídeo intitulado «Me at the zoo» em que o jovem Jawed Karim, na altura com 25 anos e um dos cofundadores do YouTube, diz apenas: «Tudo bem, então aqui estamos à frente dos elefantes, e o mais fixe desta espécie é que eles são mesmo gigantes e isso é fixe. É muito bonito e é tudo o que há a dizer».


 
Pois é, o Youtube não começou com vídeos de cães ou gatos fofinhos ou com quedas de pessoas na piscina. A estreia foi banal e os seus criadores não imaginavam que era, mesmo assim, o início de qualquer coisa espetacular, não fosse o Youtube ser, hoje em dia, o terceiro site mais popular do planeta, a seguir ao Google e ao Facebook.
 
Para além de Karim, dois ex-funcionários do PayPal também têm o seu nome na criação do YouTube: Chad Hurley e Steve Chen. Um ano depois, em 2006, a Google comprou a criação por 1,65 mil milhões de dólares, mais de 1,5 mil milhões de euros ao câmbio atual. Histórico.
 
Nem tudo foram rosas, no entanto. Logo em novembro de 2006, o YouTube foi alvo de uma ação da Universal Tuve & Rollform Equipment, por causa da semelhança dos domínios www.utube.com e www.youtube.com. Mas o Youtube levou a melhor. Quem mudou o nome do domínio foi a outra empresa, para www.utubeonline.com.
 

Ser e acontecer, a vida em tempo real

Qualquer pessoa pode fazer o upload de vídeos na plataforma e partilhá-los com o mundo.
 
Mesmo em termos noticiosos representa uma ferramenta mais-valia, porque permite incorporar nos sites informativos vídeos que retratam uma qualquer realidade no mundo – por exemplo um vulcão que acaba de entrar em erupção – de forma rápida e muito fiável - a qualidade das imagens é cada vez melhor. Alguns órgãos de comunicação oferecem, inclusive, alguns conteúdos informativos na própria plataforma.
 
Ao mesmo tempo, incrementa o chamado jornalista-cidadão que pode existir em cada um de nós. Ou simplesmente algum voyeurismo característico do ser humano.
 
Para muita gente, o Youtube foi e é, ainda, um trampolim para a fama. Gratuito. Justin Bieber é um desses exemplos.



 
E quem não se lembra do videoclip de Gangnam Style? Ainda é o vídeo mais visto de sempre: mais de 2,3 mil milhões de visualizações. É obra.



 
Em 2014, o vídeo mais visto do YouTube foi o que aparenta ser uma aranha gigante mutante que espalha o terror por onde passa, mas que afinal é apenas um pequeno cão mascarado. Publicado em setembro, o vídeo teve mais de 113 milhões de visualizações.




É assim o mundo da tecnologia. Sempre em crescendo. Viral. Cada vez mais em tempo real.


Uma história em constante evolução

Para se ter uma ideia do poder e da dimensão do Youtube, logo dois anos depois da estreia, em 2007, consumiu tanta largura de banda como toda a Internet em 2000.
 
Ano após ano, foram vários os desenvolvimentos tecnológicos que aplicou. Exemplo disso, foi o serviço de aluguer de filmes online,uma ferramenta que continua apenas disponível dos EUA, Canadá e Reino Unido, com mais de 6.000 filmes disponíveis.
 
Depois disso, o streaming gratuito de conteúdos. A transmissão dos jogos de críquete da Indian Premier League foi a primeira online, livre, de um grande evento desportivo no mundo.
 
Desde março de 2010, o design melhorou e em maio desse ano o Youtube já estava a registar mais de 2 mil milhões de vídeos por dia, «quase o dobro da audiência do horário nobre das três principais redes de televisão dos EUA juntas», disse na altura.
 
Um ano depois, mais de 3 mil milhões de visualizações por dia. Em janeiro de 2012, quatro mil milhões.
Maio de 2013, os conteúdos pagos, através de um programa piloto para oferecer a alguns provedores de conteúdo a capacidade de cobrar determinado valor por mês. Mas a grande maioria dos seus vídeos continuaram gratuitos. Até hoje.
 
Já este ano de 2015, em fevereiro, o lançamento do YouTube Kids, destinado especificamente para as crianças. Permite que o controlo parental seja ativado e estará disponível inicialmente nos dispositivos com o sistema aplicativo Android.

Tudo começou, não esquecer, com um vídeo de 18 segundos sobre elefantes. Fazer uma revolução tecnológica pode, afinal, começar com uma ideia bem simples. Com um alcance brutal: 800 milhões de utilizadores únicos por mês, 300 horas de novos vídeos carregados por minuto. É assim o YouTube hoje.