O fundador e líder da Web Summit escusou-se a revelar se a conferência de tecnologia se mantém em Lisboa além do acordado, mas admitiu, no futuro, usar outros locais na capital e dedicar painéis à Inteligência Artificial (IA).

Em conferência de imprensa no último dia do evento, quando questionado sobre a continuidade em Lisboa, Paddy Casgrave respondeu que não ter outro foco, “senão as próximas 12 horas”.

É o mesmo se for perguntado a um jogador de ténis, no meio de uma partida, sobre o que está a pensar fazer no fim-de-semana, ou a um jogador de futebol, no intervalo, os planos para a próxima semana. Não tenho outro foco, senão as próximas 12 horas”, garantiu.

Entre inúmeros elogios a entidades governamentais, às forças de segurança, bombeiros e transportes da cidade, Cosgrave garantiu haver um “casamento perfeito” entre a conferência e Portugal.

O líder da conferência referiu ainda que podem existir outras opções de locais, além do Altice Arena e FIL, no Parque das Nações.

Há muitos mais edifícios fantásticos”, assinalou o responsável, recordando que algumas cimeiras paralelas decorreram na segunda-feira noutros locais da cidade.

“É uma possibilidade que devemos encarar, de forma mais séria nos anos vindouros o abrir mais locais durante a semana da Web Summit”, admitiu.

Os planos mais imediatos após o encerramento da cimeira, que decorre pelo segundo ano consecutivo em Lisboa, é analisar como correu para garantir melhorias e avaliar hipóteses como dedicar conferências à IA e às novas formas de pagamento.

Também esta quinta-feira Cosgrave estimou que o dinheiro investido nas ‘startups’ que participaram no evento em quatro anos é de cecra de 50 mil milhões de euros.

“Nos últimos quatro anos, 50 mil milhões de euros foram investidos nos programas das ‘startup’ que participaram”, de investidores vindos de locais como a Índia e a China, disse.

Para o fundador, este é “um número significativo”.

Aludindo a outros números, referiu que, nos últimos três anos registaram-se “2.000 ‘startups’ a participar [em cada ano] e a investir na Web Summit”, de um total de 100 mil que se candidataram para estar no evento.

Ao todo, até 20% do capital de risco aplicado será restituído nos próximos 12 meses”, estimou, frisando que muitas das empresas com potencial de crescimento rápido “vão ter sucesso”.

Cosgrave admitiu que “mesmo as ‘startup’ com capital de risco e que conseguem investimento […] falham”, mas realçou que “a taxa de sucesso é muito mais elevada”.

O responsável deu também conta que, nesta edição, verificaram-se mais de 2.000 voluntários de todo o mundo, vindos de países como a Croácia, a Grécia ou o Egito.

Têm, em média, 21 anos e alguns são universitários, assinalou.

Segundo a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

Do total, quase metade dos participantes e mais de um terço dos oradores são mulheres, adiantou.

Paddy Cosgrave destacou ainda o “grande esforço de equipa”, elogiando o trabalho da secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, que tem sido “fenomenal” a coordenar a logística do evento.

A Web Summit decorre até esta quinta-feira, no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.