Aliar cuidados personalizados dos bebés prematuros à tecnologia de topo é o maior desafio do primeiro centro português de formação de cuidados de desenvolvimento para prematuros que foi inaugurado esta quarta-feira no Porto.

O centro «São João NIDCAP - Training Centre Porto» - o primeiro em Portugal e o primeiro de língua portuguesa no mundo - destina-se a formar profissionais portugueses e dos Países de Língua Oficial Portuguesa da área da Neonatologia, nos cuidados centrados no desenvolvimento e na família, explicou Ercília Guimarães, diretora do Serviço de Neonatologia do Hospital de São João no Porto e uma das mentoras do projeto.

«Vai ensinar-se e apoiar uma metodologia diferente de cuidar, ou seja, em vez de seguir protocolos rígidos da neonatologia, tem-se em conta o complemento emocional», explicou Ercília Guimarães, sublinhando a importância da presença dos progenitores a ajudar a cuidar do bebé prematuro que passa dias, semana ou meses na incubadora entre a vida e a morte.

O contacto de pele entre o bebé e a mãe e o pai, saber olhar o bebé e perceber se gosta mais de dormir do lado esquerdo ou direito, dar informações honestas, ou apoiar a amamentação são apenas alguns dos cuidados personalizados que este centro de formação vai defender.

«O grande desafio dos nossos dias é garantir o desenvolvimento cerebral do bebé. A intervenção dos pais demonstrou uma melhoria do desenvolvimento do cérebro e na capacidade cognitiva», explicou Fátima Clemente, especialista em Neonatologia e mestre no NIDCAP, durante a cerimónia de inauguração do centro pioneiro em Portugal, referindo que a presença dos pais e o seu envolvimento precoce, designadamente na muda da fralda ou a ver a temperatura, são pilares para a «estabilidade da vida do bebé».

Também o presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, António Ferreira, asseverou que a «personalização dos cuidados» é «de longe o mais importante na atividade da saúde e no aperfeiçoamento dos cuidados de saúde».

A Federação Internacional NIDCAP é uma organização profissional, sem fins lucrativos, sediada na Harvard Medical Sacholo e no Brigam and Woman’s Hospital and Children’s Hospital em Boston (EUA), que é a agência responsável por supervisionar a qualidade da formação do centro em Portugal.

Este novo centro vai permitir estudar, observar e interpretar as reações dos bebés que nascem antes do tempo para começar a perceber o que eles nos dizem, porque o comportamento dos bebés prematuros «ainda é muito desconhecido» e ao «nível cerebral ainda há muito para fazer», disse à Lusa a médica neonatologista do Hospital de São João, Fátima Clemente.

Segundo aquela especialista, os prematuros têm um «cérebro diferente dos outros bebés». «Parece que os cérebros dos prematuros, quando crescem, vão ter uma maior maturidade cerebral», referiu Fátima Clemente, recordando que um em cada dez bebés nascidos em Portugal é prematuro.