Os portugueses gastaram em 2015 entre dez a 20 euros no recinto dos festivais de música, compraram bilhete por causa do cartaz e tencionam no futuro ir a mais eventos no estrangeiro, segundo dados apresentados esta quinta-feira em Lisboa.

No arranque do quinto Talkfest, o fórum sobre festivais de música em Portugal, a organização traçou um novo perfil dos espectadores de festivais de música, a partir de dados recolhidos no final de 2015.

Esta é a terceira edição do “perfil do festivaleiro”, que permite perceber quem frequenta os festivais de música, quanto gasta e quais as preferências.

Comparando com 2013 e 2014, o perfil do “festivaleiro” não sofre alterações substanciais. Os espectadores dos festivais têm sobretudo entre 21 e 40 anos, vão a dois festivais por ano e gastaram em média entre 10 a 20 euros.

A maioria compra bilhete ou passe com mais tempo de antecedência e escolhe o festival por causa do cartaz. Em 2015, o Nos Alive, em Algés, liderou as preferências dos espectadores, segundo aquele estudo.

Na apresentação do estudo, Ricardo Bramão, um dos organizadores do Talkfest, recordou que em 2015 foram contabilizados 210 festivais de música, frequentados no total por 1,8 milhões de espectadores.

No ano passado houve 58 novos festivais de música, mas Ricardo Bramão sublinhou que também aumentou o número de eventos que cessaram atividade.

O que verificamos é que não há ainda um ‘business plan’ em todos os festivais. Há uma evolução mas ainda não aconteceu uma profissionalização”, disse.

Quanto aos festivais, 83 por cento dos espectadores tem uma opinião positiva sobre a organização, “mas é mais exigente”, referiu o responsável.

As infraestruturas, o preço dos bilhetes e limpeza e a segurança no recinto são as áreas em que os inquiridos gostavam de ver mais melhorias.

Em 2015, 26 por cento dos espectadores que participaram neste estudo do Talkfest afirmaram que já tinham estado em festivais de música no estrangeiro e que 86 por cento desejava fazer o mesmo.

 

Promotores querem maior articulação de esforços

 

Do lado dos responsáveis pela organização dos festivais, pedem maior articulação dentro de portas e mais cooperação com promotores espanhóis.

O primeiro debate do Talkfest foi dedicado ao financiamento dos festivais de música – no qual se concluiu que as autarquias têm um papel determinante -, mas a discussão acabou por passar também pela forma como promotores e organizadores se articulam em Portugal e no estrangeiro.

É preciso criar uma força comum para explicar o potencial de eventos culturais. Procuremos uma calendarização (...) Isto pode acontecer e é lógico, só que é preciso mais vontade e dar um sentido a isso”, afirmou o diretor de comunicação do festival espanhol SOS 4.8, Bernard Seco.

No debate participaram também o consultor espanhol Raul Ramos e responsáveis de três festivais portugueses: Raul Ouro (Neopop Festival, Viana do Castelo), Paulo Silva (Festival Med Loulé) e Miguel Fernandes (LisbON, Lisboa).

Todos concordaram nessa aproximação de esforços e partilha de conhecimentos entre Portugal e Espanha, mas Paulo Silva alertou: “Primeiro é preciso arrumar a casa. Houve um ‘boom’ de festivais e daqui a uns anos haverá um ‘crash’. Somos um país pequeno com muitos festivais”.

De acordo com a Aporfest – Associação Portuguesa dos festivais de Música, em 2015 aconteceram 210 eventos de música, com um total de 1,8 milhões de espectadores.

A preocupação com o consumidor sai reforçada com o aumento de festivais”, afirmou o diretor do LisbON, que lamentou, ainda assim, a existência de “canibalização de recursos”.

Gostava que houvesse uma maior articulação entre todos os festivais, sobretudo em Lisboa, e o que se vê é uma guerrilha mais ou menos constante sobre o espaço de cada um”, disse Miguel Fernandes.

E sobre isso, Raul Ouro, do Neopop Festival, sublinhou que um festival de música “tem que satisfazer o público, mas também o artista e isso só acontece quando o promotor se identifica com a música que traz”.

No final, o consultor espanhol Raul Ramos resumiu: Os festivais têm de passar de meros eventos de concertos para criadores de "experiências". “Só assim se podem diferenciar, porque o público sabe o que escolher”.

E entre Portugal e Espanha, afirmou este responsável da consultora Assimétrica, é preciso “haver uma celebração conjunta” que permita às promotoras ibéricas terem mais resistência em cenários de cortes orçamentais.

O quinto Talkfest decorre no centro de reuniões da FIL, em Lisboa, coincidindo também com a BTL - a Feira Internacional de Turismo, e contará com dois dias de debates, seminários, conferências, apresentações científicas, feira de emprego e concertos.

No âmbito do Talkfest, o único fórum dedicado exclusivamente à discussão sobre o panorama dos festivais de música em Portugal, serão ainda atribuídos hoje pela primeira vez os Iberian Festival Awards, prémios que distinguem os melhores festivais de música de Portugal e Espanha.