O porta-voz da Comissão Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres considerou que as palavras do ministro do Ambiente sobre o impasse para evitar descargas de suiniculturas são «vãs porque não acarretam consequências».

«Passaram sucessivos governos, sucessivos ministros do Ambiente e ninguém resolveu o problema», afirmou à agência Lusa o porta-voz da comissão, Rui Crespo, lembrando que o ano passado «o ministro, quando esteve em Leiria, para inaugurar uma estação de tratamento, disse o mesmo e as descargas continuaram».

«Ultrapassar os limites do aceitável»

Terça-feira, o ministro do Ambiente declarou que o impasse para evitar descargas de suiniculturas na Ribeira dos Milagres está «a ultrapassar os limites do aceitável».

Nunes Correia, que falava após ter sido ouvido na Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território na Assembleia da República, sublinhou a necessidade de «intensificar as acções de inspecção, mobilizando a GNR para tentar ver quais são as instalações que estão em condições e quais cumprem ou não a legislação».

«São crimes públicos lamentáveis que se arrastam há anos e que são feitos a coberto da noite. Não é um problema de impotência, é uma dificuldade objectiva de fiscalizar quem é o criminoso», realçou o governante.

«A responsabilidade não é do Governo, é dos poluidores. Essa indústria, como outra qualquer, tem obrigação de tratar dos seus efluentes», acrescentou Nunes Correia.

«Cansado de palavras»

O responsável da Comissão Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagre disse estar «cansado de palavras», porque «nada acontece aos prevaricadores».

«As descargas continuam, intensificam-se, sobretudo quando chove, à noite e ao fim-de-semana», continuou, defendendo um incremento da fiscalização.

Rui Crespo observou que são as próprias autoridades que «autorizam descargas autorizadas para a ribeira», o que o leva a concluir: «Pactuam com este estado de coisas e parece que não há vontade para existir um ambiente melhor».

«O que acontece aos empresários que são autuados?», questionou ainda o responsável, salientando a necessidade de haver uma decisão que «sirva de exemplo» para todos poluidores.

Rui Crespo revelou ainda descrença na construção da estação de tratamento de efluentes suinícolas (ETES), cujo início esteve previsto para Janeiro. Trata-se de uma obra da Recilis que pretende acabar com os problemas de poluição associados ao sector das suiniculturas na região de Leiria.

«É fácil é barato e não há consequências»

Segundo Rui Crespo, «o adiar da obra só beneficia os empresários que continuam a produzir suínos sem tratamento». «É fácil é barato e não há consequências», comentou.

A ETES, projectada para a freguesia de Amor, no concelho de Leiria, tem um custo estimado de 18 milhões de euros. No entanto, a localização da estação, primeiro, e mais recentemente o financiamento da obra, está a atrasar o início dos trabalhos.

À agência Lusa, o presidente da Recilis, David Neves, assegurou que «apesar da demora na implementação da solução para o tratamento dos efluentes das suiniculturas», o processo está «à beira da conclusão».