O Sporting entregou esta quinta-feira a nota de culpa do processo que instaurou a Marco Silva, naquele que é um passo para o despedimento do treinador com justa causa.

 

Ora a referida nota de culpa é um documento com cerca de 400 páginas, a maior parte das quais são recortes de jornais como prova dos fundamentos que o clube apresentou.

 

E que fundamentos são esses?

 

De acordo com o que foi possível saber, acima de tudo está a quebra de confiança e do dever de lealdade. O Sporting acusa por exemplo Marco Silva de nas conferências de imprensa não respeitar as diretrizes emanadas da SAD.

 

Mas há mais. Acusa o até aqui treinador principal também de ser conivente com a Doyen, particularmente quando não utilizou Marcos Rojo no particular do Tereza Herrera com o Nacional de Montevideu: a Doyen tinha pedido para o jogador não ser utilizado nesse jogo, o Sporting negou esse pedido e defende que Marco Silva desafiou as ordens ao não utilizar o jogador.

 

Outra acusação feita é que Marco Silva viu a tentativa de agressão de Marcos Rojo a Bruno de Carvalho e garantiu depois nada ter visto.

 

Marco Silva argumentou que não houve nenhuma tentativa de agressão, como aliás o Sporting reconheceu quando não mencionou nada disso na nota de culpa a Marcos Rojo.

 

As acusações continuam com suposta defesa de Slimani durante o processo disciplinar que lhe foi instaurado e com críticas a Ewerton depois de ter sido contratado.

 

Neste caso do central brasileiro, Marco Silva defendeu que nunca o Sporting o avisou que ia estar um mês parado antes de poder competir.

 

As acusações são várias ao longo de todo o documento para justificar a quebra de confiança e do dever de lealdade.

 

No entanto, e ainda em relação a isto, a defesa de Marco Silva considera que a maior parte dos factos que são invocados já prescreveram: os advogados do treinador defendem que num caso laboral, a entidade patronal tem 60 dias para abrir um processo disciplinar ao trabalhador depois da ocorrência dos factos.

 

Mas ainda há mais.

 

O Sporting acusa também Marco Silva de ter faltado a uma reunião marcada para terça-feira. Ora Marco Silva defendeu neste caso que recebeu um telefonema de Inácio na segunda-feira à noite a cancelar a reunião. O Sporting, por outro lado, não reconheceu esse telefonema e acusou o treinador de ter dado uma razão falsa: a participação num curso de treinadores em Fátima. Marco Silva reagiu que nunca disse tal coisa, até porque o curso em questão é de reciclagem e só para treinadores que tenham a licença a expirar.

 

A última acusação, e talvez mais exótica, é que Marco Silva não usou o fato oficial do clube no jogo da Taça de Portugal com o Vizela, em Moreira de Cónegos. Este argumento é até referido na folha de rosto do processo de instrução.

 

Refira-se que Marco Silva tem agora dez dias para responder a esta nota de culpa.

 

Na reunião, por fim, não esteve Bruno de Carvalho. Marco Silva apresentou-se com Carlos Gonçalves e com o advogado Nélson Soares, foi recebido pelo vice-presidente Carlos Vieira, pelo vogal José Quintela, por Alexandre Godinho e Rui Caeiros, membros do conselho diretivo, e pela advogada Patrícia Silva Lopes.

 

Os dirigentes leoninos começaram por sugerir uma rescisão por mútuo acordo, no qual Marco Silva aceitaria deixar o clube com o mês de junho todo pago até ao fim. O treinador não aceitou e o Sporting avançou para o processo disciplinar, com cessação de funções imediatamente.