
A figura
Artur! Uma, duas, três vezes. Pelo menos. A sua defesa mais significativa aconteceu aos 61 minutos, quando Javi García errou um passe (mais um) e entregou a bola a Wolswinkel, que ficou cara a cara com o guarda-redes brasileiro. Este conseguiu cobrir toda a baliza bem perto da grande área e negou o 2-0 aos leões. Incrível! Seis minutos antes já tinha feito o mesmo a Schaars e aos 51 a Wolfswinkel. Aos 72, a mancha atrapalhou tanto o holandês, que este escorregou antes de atirar para a baliza. Viu um míssil de Izmailov embater na trave, e pouco mais podia ter feito no penalty.
A desilusão
Luisão. Correu tanta tinta a falta de centrais que a entrada de Luisão (e Garay) no onze seria, só por si, uma boa notícia para Jorge Jesus. A verdade é que o internacional brasileiro, a jogar com uma protecção no joelho esquerdo (o tal que sofreu uma entorse na partida frente ao Braga), começou o derby de uma forma muito instável. Aos seis minutos, perdeu a bola para Wolfswinkel, que, na sequência, só não deu golo porque Matías rematou ao lado, em boa posição; aos 17, deixou fugir o holandês e quando este parou, de costas para a baliza, puxou-lhe o pescoço para um penalty sem sentido e que colocou a sua equipa em desvantagem numa importantíssima «final». Mesmo quando subiu à area leonina percebia-se a ansiedade de ter começado mal. Acabou expulso, já sobre os 90, por acumulação de amarelos.
A outra desilusão
Javi García. Que é feito do velho Javi, aquele que antes da lesão comandava com autoridade o meio-campo dos encarnados? Falhou tempo de entrada a bolas divididas, e uma delas valeu-lhe um amarelo, bem cedo, aos 27 minutos. Falhou passes, muitos passes, e num deles isolou Wolfswinkel e deitou as mãos à cabeça. Artur salvou-o de ainda mais críticas, mas não da ira de Jesus, que o retirou imediatamente de campo e fez entrar Nélson Oliveira.
Outros destaques
Maxi, sempre. Mesmo quando faz pouco. O Benfica depende dele mais do que ninguém e ele nunca diz que não, cerra os dentes e corre. Luta. Mesmo com Capel e Insúa a dar-lhe dois degraus altos para subir até à área de Patrício, não foram raras as vezes em que apareceu na área a fazer o que lhe pedem. Vai, Maxi, vai! Foi do uruguaio a primeira grande oportunidade do segundo tempo, quando a bola lhe sobrou para a altura da cabeça, depois de Yannick e Patrício a terem dividido no ar, mas Insúa, sobre a linha, negou-lhe as intenções (52 minutos). Ou seja, ele foi, apenas não foi suficiente para vencer o derby.
Não há mais Witsel?
O Benfica precisa mais de Witsel do que este ainda tem para dar. Com Elias a anular Rodrigo, Cardozo plantado entre os centrais, o belga era obrigado a assumir mais a organização do jogo. Fazer mais do que fez aos 38 minutos, na melhor jogada dos encarnados no primeiro tempo, em que levou a bola até perto da área, entregou-a a Gaitán e o argentino colocou-a nas costas da defesa leonina, onde Cardozo apareceu para cabecear ao lado. É verdade que Witsel gosta de respirar entre cada toque, mas um grande jogador tem de saber também acelerar o seu ritmo cardíaco, não basta andar sempre a tentar baixá-lo. Mesmo assim, esteve no pouco que o Benfica conseguiu.
O regresso de Yannick
Jorge Jesus deu-lhe 45 minutos, no regresso a Alvalade. Não foi feliz. Alternou perdas de bola exasperantes com três momentos em que podia ter reivindicado outra sorte. Dois minutos depois de entrar ainda surgiu perante Patrício, mas o guarda-redes leonino saiu rápido dos postes e anulou a jogada. Aos 72, a passe de Gaitán, atirou ao lado. Aos 87, desviou de cabeça para as mãos de Patrício.