A secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, defendeu, nesta segunda-feira, em Lisboa que o combate ao vírus Zika exige "muita colaboração" de todos os países, que devem apostar na fumigação, para eliminar o mosquito transmissor, e na educação das populações.

“Tem de haver muita colaboração entre os países. Não basta o combate ao Zika dentro de cada país, porque o Zika migra além das fronteiras. É do interesse dos países mais afetados que todos os países tomem ações decisivas”, considerou a responsável da Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB), que organiza a Conferência Iberoamericana.

Rebeca Grynspan falava aos jornalistas no final de um almoço de trabalho com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no Palácio das Necessidades, no âmbito de uma visita oficial que realiza a Portugal hoje e terça-feira.

Entre as medidas a adotar, a secretária-geral destacou a fumigação, mas também a educação da população, que disse ser “um elemento fundamental para combater o vírus no curto prazo”.

A responsável manifestou a disponibilidade da Secretaria Geral Ibero-Americana para colaborar com os países mais atingidos pela epidemia, entre os quais o Brasil, que na semana passada solicitou apoio internacional, numa reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Quito (Equador).

O vírus será também tema de uma reunião de ministros de Saúde da Unasur (União de Nações Sul-americanas – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela), que decorrerá no Uruguai.

O Zika manifesta-se em sintomas semelhantes aos da gripe, como febres baixas, dores de cabeça, dores nas articulações e erupções cutâneas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença está a propagar-se " de forma explosiva" pelo continente americano, com três a quatro milhões de casos esperados este ano, dos quais 1,5 milhões no Brasil, o país mais afetado.

Este vírus é associado no Brasil a um aumento de casos de microcefalia, um distúrbio de desenvolvimento fetal que causa o perímetro do crânio infantil mais baixo do que o normal, o que provoca atrasos no desenvolvimento mental.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) indicou que os sintomas e sinais clínicos da doença são, em regra, ligeiros: febre, erupções cutâneas, dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares.

A SEGIB, responsável pela parte da organização da Conferência Iberoamericana, congrega 22 países, entre os quais Portugal, Brasil e Espanha.