Três casos desde dezembro, mais de uma mão cheia de vítimas mortais. A situação explica o escrutínio feito ao funcionamento das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e constata-se que, só em agosto, os 42 carros de socorro estivam mais de 500 horas sem trabalhar, sobretudo por falta de tripulantes (435,36 horas, ao certo).

Ainda assim, foram menos de metade das horas da inoperacionalidade do que em janeiro: dados do INEM, a que a Lusa teve acesso revelam que, no mês passado, a taxa de inoperacionalidade das VMER foi de 527,67 horas, enquanto em janeiro esse valor atingiu as 1.212,66.

Nos primeiros oito meses deste ano, a inoperacionalidade foi mais significativa nas viaturas afetas ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, (999,02 horas inoperacionais), ao Hospital Distrital de Faro (997,78 horas), Hospital Distrital Santarém (869,62 horas), Centro de Saúde de Albufeira (840,62 horas) e Hospital de Santo António, no Porto (543,37 horas).

Cabe aos hospitais a que estas viaturas estão afetas assegurar os recursos humanos - médico e enfermeiro - que integram este meio de emergência médica pré-hospitalar. O INEM sublinha que a taxa de operacionalidade das VMER «continua a melhorar».

Em relação a agosto, este instituto refere que as 42 VMER existentes em território continental atingiram uma taxa média de operacionalidade de 98,3%, «o valor mais elevado desde que existe registo». Em janeiro, a taxa média de operacionalidade das VMER foi de 96,1%.

O presidente do INEM, Paulo Amado de Campos, sublinhou ainda os níveis de operacionalidade conseguidos em 2014 e que «nunca tinham sido alcançados».

Para o INEM, a melhoria da operacionalidade deve-se a recente legislação que atribuiu ao diretor do serviço de urgência dos hospitais um reforço do papel na coordenação e funcionamento destas viaturas. Mas igualmente ao «acompanhamento permanente destes dados efetuados pelo INEM, fazendo-os chegar diretamente aos hospitais e sensibilizando para a necessidade de manterem as VMER operacionais».

Paulo Amado de Campos explicou que o mês de agosto trouxe dificuldades adicionais, sobretudo por causa das férias. Mesmo assim, os níveis de operacionalidade foram positivos. «Não podemos querer que, de um dia para o outro, se venha a alterar totalmente a situação». salientou. De qualquer modo, está confiante de que, «em pouco tempo», se atinja uma operacionalidade de 100%, no que diz respeito à tripulação das viaturas.

A VMER é um veículo de intervenção pré-hospitalar destinado ao transporte de uma equipa médica ao local onde se encontra o doente. O seu principal objetivo consiste na estabilização pré-hospitalar e no acompanhamento médico durante o transporte de vítimas emergentes.