O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora (FBDE), Inácio Esperança, defende alterações ao Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), considerando que a emergência médica não funciona uniformemente em todo o país.

«No Alentejo, o SIEM não funciona bem, porque não há recursos humanos e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) quer fazer tudo sozinho e não utilizar os bombeiros como um parceiro preferencial», afirmou.

O responsável alertou que a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) em situações graves «pode voltar a acontecer, caso não se tomem medidas», porque «o INEM deve funcionar de uma forma uniforme em todo o país e não funciona».

O presidente da FBDE comentava à agência Lusa a inoperacionalidade da VMER do hospital de Évora, no domingo à noite, por falta de tripulação, quando ocorreu um acidente com dois mortos perto de Reguengos de Monsaraz.

A viatura de emergência de Évora esteve de novo parada, na terça-feira, entre as 08:00 e as 16:00, por falta de recursos humanos, disse à agência Lusa fonte hospitalar.

Inácio Esperança sugeriu ao INEM que faça «uma reflexão sobre a forma como está a gerir o SIEM, verificar se alguns dos recursos que tem no país resolvem os problemas ou se não podiam ser racionalizados de outra maneira».

Como exemplo, o responsável referiu que «o INEM tem colocado no Alentejo ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) onde já existem Postos de Emergência Médica em corpos de bombeiros para fazerem o serviço que os bombeiros já fazem».

«Provavelmente, o dinheiro que gasta a mais nas ambulâncias SIV podia servir para contratar mais médicos e enfermeiros para poder ter a VMER a funcionar 24 horas», propôs.

O presidente da federação de bombeiros de Évora reconheceu que as ambulâncias SIV permitem «um tratamento diferenciado», mas realçou que, muitas vezes, os bombeiros têm de esperar pela ambulância SIV para transportar o doente para as urgências de uma hospital ou centro de saúde.

«Num país onde não há dinheiro, o que acontece é haver um doente e duas ambulâncias. Vai a ambulância do corpo de bombeiros à frente com o doente e, depois, atrás, vai a ambulância SIV pela qual temos de esperar», o que provoca «atrasos que, por vezes, são injustificáveis», criticou.

Outro aspeto reprovado pelo responsável é a utilização do helicóptero do INEM para transportar doentes da região para os hospitais centrais de Lisboa, que, na sua opinião, «muitas vezes é prejudicial para o doente».

«Temos casos no distrito em que o doente esteve três ou quatro horas à espera da chegada do helicóptero dentro de uma ambulância, com a VMER ao lado, quando para chegar aos hospitais centrais de Lisboa levaria cerca de uma hora e meia», disse.

Há pouco mais de três meses, no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER de Évora também estava inoperacional quando um acidente entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.