O Serviço de Informações de Segurança (SIS) confirmou este sábado, à agência Lusa, ter estado no Instituto de Registos e Notariado (IRN) a fazer «uma limpeza eletrónica», a pedido do presidente desta entidade, «fora do horário de expediente».

Vistos gold: funcionário de agência bancária constituído arguido

O SIS respondia a questões colocadas pela Lusa, na sequência da notícia difundida hoje pelo jornal Expresso, sob o título «PJ [Polícia Judiciária] apanha líder do SIS a ajudar suspeito dos vistos gold».

Na resposta enviada à Lusa, o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), que tem o SIS sob sua responsabilidade, afirma que este serviço «mantém estreita colaboração institucional/operacional, em matérias de elevada sensibilidade, com o IRN».

«Nesse contexto, foi solicitada pelo presidente do IRN uma limpeza eletrónica nas instalações centrais do Instituto, a qual foi considerada justificada pelos motivos [atrás] expressos, tendo o SIS procedido em conformidade».

Segundo o secretário-geral do SIRP, a operação foi realizada por «três técnicos do SIS, fora do horário de expediente», e acompanhada pelo presidente do IRN e pelo diretor do SIS.

Acrescenta o secretário-geral do SIRP que a limpeza eletrónica «não interfere com as comunicações telefónicas normais nem do meio web, destinando-se apenas à deteção de meios de escuta ambiental».

Trata-se, de acordo com o responsável do SIRP, de uma «operação frequente em muitas outras instituições do Estado».

«Estas operações inscrevem-se no âmbito das competências do SIS e estão em conformidade com a lei», refere a documento enviado pelo SIRP à Lusa, acrescentando que «o diretor do SIS é alheio ao processo de investigação aos chamados vistos gold».

O secretário-geral do SIRP preside aos conselhos administrativos do SIS e do Serviço de Informações Estratégicas da Defesa (SIED).

A Polícia Judiciária deteve, na quinta-feira, 11 pessoas por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos ‘gold’, entre as quais o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo.

Os onze detidos no âmbito da investigação sobre a atribuição de vistos ‘gold’ foram identificados na sexta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal, no Campus de Justiça de Lisboa e estão hoje a ser inquiridos, no âmbito da investigação.

Nesta operação foi detido igualmente o diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, e a secretária-geral do Ministério da Justiça (MJ), Maria Antónia Anes.

O programa de atribuição de vistos ‘gold’, criado em 2013, prevê a emissão de autorizações de residência para estrangeiros oriundos de fora do espaço Schengen que façam investimentos em Portugal, por um período mínimo de cinco anos.