O diretor do Parque Natural Madeira (PNM), Paulo Oliveira, considera necessárias «afirmações da soberania portuguesa», como a próxima visita do Presidente da República, sobre as Ilhas Selvagens, que «continuam a ser alvo de atos ilegais».

Parcela do território português localizada mais a sul, «as Selvagens têm necessidade destas afirmações de soberania porque, de facto, continuam a ser alvo de atos ilegais. Ainda recentemente tivemos embarcações espanholas de recreio ilegalmente a pescar naquelas águas», afirmou Paulo Oliveira à Lusa, a propósito da visita de Cavaco Silva àquelas ilhas, na quinta e sexta-feira.

Cavaco Silva será o terceiro chefe de Estado a visitar as Selvagens, depois de Mário Soares ter visitado as ilhas em 1993 e Jorge Sampaio dez anos depois. Também uma missão da Assembleia da República chefiada pelo então presidente do parlamento, Jaime Gama, esteve naquele território em 2009.

O diretor do PNM frisou que «este tipo de visitas das mais altas entidades do país são sempre muito marcantes e uma mais-valia», argumentando, contudo, ser «importante não esquecer que, no dia-a-dia, a soberania das Selvagens é assegurada pela presença dos vigilantes da natureza que estão lá 365 dias ao ano, sem qualquer tipo de interrupção».

«Isto, de facto, é o garante de continuidade de soberania de Portugal sobre aquelas ilhas», sublinha.

Segundo Paulo Oliveira, as Selvagens são «um conjunto de três pequenas ilhas - a Selvagem Grande, a Selvagem Pequena e o Ilhéu de Fora - e alguns ilhéus, que nunca foram habitadas de forma permanente, apesar de ter havido algumas tentativas de colonização», sendo atualmente «uma reserva natural, a mais antiga de Portugal».

As Selvagens são, assim, um pequeno arquipélago a 165 quilómetros das Canárias e 250 quilómetros da Madeira, pertencendo à freguesia da Sé, do concelho do Funchal, abrangendo uma área 273 hectares, «onde existe apenas a casa de apoio aos vigilantes da natureza, afeta do Parque Natural, e uma outra edificação que já vem da altura em que as ilhas eram exploradas para a apanha da cagarra».

A cartografia deste território é conhecida desde o século XV, sendo considerado seu descobridor oficial Diogo Gomes, o navegador do Infante D. Henrique, entre 1451 e 1456. Depois de pertença da Coroa, foi durante anos propriedade privada, tendo em 1971 sido adquirida pelo Estado português por 1.500 contos (7.500 euros).

As Ilhas Selvagens estão sob a tutela do Parque Natural da Madeira desde 1989, entidade que ali faz permanecer dois vigilantes da natureza, contando com a colaboração do Comando da Zona Marítima da Madeira.

«Do ponto de vista do património natural, a cagarra [ave] é a espécie "guarda-chuva" que deu o enquadramento à criação desta reserva (1971)», apontou Paulo Oliveira, destacando que aquele território é «muito importante ao nível das aves marinhas e do seu património florístico».

«Estão descritas cerca de 200 espécies de plantas, sendo 11 exclusivas daquele espaço e, no panorama mundial, tem a maior percentagem de espécies indígenas ou endémicas por metro quadrado da região biogeográfica da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde)», acrescentou.

As Selvagens contam já com o diploma europeu do Conselho da Europa e decorre o processo de candidatura a Património Mundial Natural da Unesco.