Notícia atualizada às 12:47

O primeiro-ministro e o ministro da Educação foram recebidos esta manhã com assobios numa escola de Viseu.

Cerca de uma centena de professores e sindicalistas da Fenprof esperavam à porta, mas os carros de Passos Coelho e Nuno Crato entraram diretamente no recinto escolar.

Mário Nogueira tinha uma carta para entregar ao primeiro-ministro, com as queixas dos professores no arranque do ano letivo, mas não conseguiu entrar.

«Pelos vistos, só pode entrar quem bate palmas. A democracia que temos é esta», disse o dirigente sindical.

Passos e Crato inauguraram oficialmente o novo centro escolar de Sernancelhe.

Antes, numa intervenção na Câmara de Viseu, Passos Coelho defendeu que os municípios devem assumir mais competências em áreas como a educação, saúde e segurança social.

«Continuamos a viver numa sociedade política e administrativamente demasiado macrocéfala e centralizada. Há aspetos que continuarão a ser sempre melhor desempenhados a nível nacional, mas, na verdade, há muitos outros aspetos de política públicas importantes que se têm mantido na esfera do poder central e que não acho que se justifica que lá se mantenham. Não precisamos hoje que os ministros e secretários de Estado tenham de decidir sobre tantas coisas que podem ser decididas de forma mais racional e eficiente bem longe da sua esfera de intervenção», disse.

O primeiro-ministro defendeu um programa de descentralização nestas áreas: «Os municípios precisam de encontrar um novo desenho, que não precisa de ser redigido, pelo contrário, quanto mais flexível melhor, que os habilite a desempenhar funções que até aqui estavam remetidas ao poder central».

As novas competências poderão ser assumidas «nuns casos pelos municípios, noutros pelas comunidades intermunicipais ou eventualmente pelas regiões metropolitanas, que são embriões naturais para novas competências que devem ser partilhadas ao nível multinacional», explicou.

Já mais tarde, numa visita ao Instituto Politécnico de Viseu, Pedro Passos Coelho defendeu que os alunos devem ser incentivados a seguirem áreas relacionadas com as ciências e a matemática.

«Os nossos alunos precisam de estar mais atentos às oportunidades. Devem escolher o que gostam, mas devem ter a informação e a transparência suficientes para saberem o que estão a escolher. Se queremos dar mais futuro ao nosso país, precisamos concentrar mais esforços nestas áreas tecnológicas, de forma a sermos mais bem sucedidos», afirmou.

O primeiro-ministro referiu que o Governo tem apostado apontou numa política de ciência e conhecimento, mas sem uma «cega distribuição de apoios».

«Não basta um doutor ter um centro de investigação para receber um subsídio porque quer. É preciso mostrar trabalho e competências: é assim que tem de ser, pois não vamos financiar a ineficiência nem o status quo herdado», acusou.