A Fundação Champalimaud atribuiu o seu prémio na área da visão, de um milhão de euros, a quatro instituições do Nepal, pelo seu trabalho humanitário e clínico que permitiu tratar milhões de doentes, muitos afetados por cegueira.

O Prémio António Champalimaud de Visão 2013, hoje anunciado em Lisboa, numa cerimónia que conta com a presença do Presidente da República e do primeiro-ministro, distinguiu as organizações não governamentais Nepal Netra Jyoti Sang (NNJS), Tilganga Institute of Ophthalmology, Eastern Regional Eye Care Programme e o Lumbini Eye Institute.

O mentor do programa NNJS, Ram Prasad Pokhrel, que está em Lisboa, tal como os responsáveis das restantes instituições, para receber o prémio, disse à agência Lusa estar muito satisfeito com a distinção.

«Este montante vai permitir continuar a trabalhar, realizar mais cirurgias, criar um novo centro de oftalmologia e formar mais especialistas nesta área para melhorar a vida de mais doentes com problemas de visão, nomeadamente cataratas e glaucoma», salientou.

O NNJS reúne 14 hospitais e 60 centros de tratamento espalhados pelo país que, tal como as outras premiadas, se dedicam a tratar doenças da visão, reduzindo os casos de cegueira, quando é tratável e possível de ser evitada.

No Nepal, os problemas de visão são frequentes, muitas vezes resultando em cegueira, e representam uma catástrofe social, agravando as condições de vida da população.

Nos anos 80, iniciou-se um estudo para avaliar a dimensão dos problemas de visão no país e foi lançado o primeiro programa de combate a estas doenças, que envolveu as quatro instituições e já alcançou «resultados extraordinários», segundo a Fundação Champalimaud.

Ram Prasad Pkhrel foi um dos profissionais que se dedicou a recolher financiamento e apoios em vários países, tornando possível tratar cerca de um milhão de doentes.

As instituições nepalesas recebem doentes dos países vizinhos, pois disponibilizam serviços «mais baratos e de boa qualidade», referiu o responsável do NNJS.

O Tilganga Institute of Ophthalmology serve a região do Vale de Kathmandu e populações que vivem em locais remotos e montanhosos do Nepal, tem um banco oftalmológico para obter córneas para transplante e sensibilizar a população para a necessidade de doação de olhos, uma fábrica de material para realização de operações às cataratas, e uma unidade de investigação.

O Eastern Regional Eye Care Programme e o Lumbini Eye Institute tratam, em cooperação com o NNJS, populações do leste do país e da região central e ocidental de Terai.

O Prémio António Champalimaud de Visão, lançado em 2006, é apoiado pelo programa «2020 ¿ O direito à Visão» da Organização Mundial de Saúde, sendo o maior do mundo nesta área.

Nos anos ímpar, o prémio reconhece o trabalho de instituições na prevenção e combate à cegueira e doenças da visão, principalmente nos países em vias de desenvolvimento, nos outros anos é atribuído a pesquisas científicas.

Já recebeu 400 candidaturas e distinguiu entidades e especialistas de países como a Índia ou os EUA.