A Liga dos Bombeiros Portugueses pediu, esta quarta-feira, à Autoridade Nacional de Proteção Civil uma reunião «urgente» para clarificar o papel dos bombeiros no âmbito da prevenção do Ébola em Portugal.

«Não concordamos com o facto de ainda não termos sido chamados para dar a nossa opinião sobre o plano de contingência do vírus do Ébola. E é necessário debater e clarificar o papel dos bombeiros, que deviam estar dentro de todo o processo», disse à agência Lusa o presidente da Liga, Jaime Marta Soares, indicando que 65% da atividade do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) assenta nas corporações de bombeiros do país.

A propósito da mobilização de meios, o diretor-geral da Saúde, Francisco George, disse hoje no parlamento que, numa «reunião de topo», foi decidido que a proteção civil «não deve ser mobilizada para um risco» que ainda é considerado baixo.

A Liga dos Bombeiros Portugueses afirma que os eventuais casos suspeitos de Ébola podem surgir também fora dos grandes centros, como Lisboa, Coimbra e Porto, considerando por isso que será necessário dar formação aos bombeiros.

Também a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e o Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais indicaram hoje, em comunicado, não ter tido, até ao momento, «qualquer informação de que tenham sido adotadas medidas de proteção ou adquirido qualquer equipamento especial para os bombeiros que fazem transporte de doentes».

Já o Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência (STAE) indica que há profissionais a receber formação, mas que não está a ser ainda ministrada a todos os trabalhadores.

«Não temos os profissionais todos com formação para podermos responder aos transportes que venham a ser necessários em relação ao Ébola. Há equipas específicas, mas num surto aumentado e num número aumentado [de transportes], neste momento, não teremos profissionais para responder, de hoje para amanhã, se houver um número elevado de transportes a ser solicitado», declarou à Lusa o dirigente do STAE Pedro Moreira.

Entretanto, o diretor-geral da Saúde anunciou esta quarta-feira de manhã no Parlamento que a formação vai se expandida a todos os profissionais do INEM.