Por: Redacção | 10- 2- 2012 16: 2
O relatório sobre o afundamento da embarcação «Virgem do Sameiro», nas Caxinas, é inconclusivo quanto às razões da inundação.
Com a precipitação que se fazia sentir, «nenhum dos tripulantes ao abandonar o navio envergou o colete de salvação». O naufrágio
aconteceu em pouco tempo - 15 a 20 minutos - numa altura em que as condiçães de tempo e oceanográficas eram favoráveis», com
vento fraco e ondas entre os 2,5 e os 3 metros.
O relatório sobre o acidente, a que a agência Lusa teve acesso,
constituído por 151 páginas, foi elaborado com base nas investigações da Polícia Marítima e nos testemunhos recolhidos pelo
Capitäo do Porto da Figueira da Foz, do mestre e proprietário da «Virgem do Sameiro» e dos cinco tripulantes, que andaram
à deriva em alto mar numa balsa de salvamento, mas foram resgatados com vida três dias depois do acidente.
A
investigação, vertida no relatório, conclui que o mestre José Manuel Pontes Coentrão, «por ficar aflito, não emitiu qualquer
comunicaçäo de socorro, urgência ou segurança via rádio VHF ou outra via», o que acabou por complicar a localizaçäo do naufrágio
e o salvamento da tripulação.
Quanto às causas do naufrágio, o inquérito sublinha que «o facto extraordinário
ocorrido no mar - embarque anormal de água na embarcaçäo - terá acontecido devido a causa fortuita e teve como consequência
o afundamento total».
O documento, já analisado pela Autoridade Marítima, que decretou o arquivamento do caso,
realça que «considerando o local onde ocorreu o sinistro, a sua profundidade (cerca de 80 metros) e à distância da linha de
costa (nove
milhas náuticas a noroeste do Cabo Mondego), näo é exequível a sua recuperação».
O próprio responsável
pela Autoridade Marítima, capitäo de mar-e-guerra Mendes dos Santos, comentou à Lusa que a única forma de averiguar concretamente
a entrada de água na «Virgem do Sameiro» seria a recuperaçäo da embarcaçäo,
o que não faz sentido devido à profundidade
onde se encontra e ao custo que teria uma operaçäo deste tipo.
Os seis homens estavam perdidos no Mar numa
pequena balsa. Chegaram a lançar quatro very-lights na esperança de serem avistados, mas sem sucesso. Foi a Força Aérea portuguesa
quem localizou a balsa três dias depois do acidente, e numa altura em que os familiares, desesperados, já esperavam o pior.
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