A Associação de Mulheres contra a Violência (AMCV) manifestou-se contra a «barbárie que tem vindo a acontecer» contra as mulheres e raparigas em Portugal, defendendo um plano nacional de combate à violência contra as crianças e jovens.

«O número de mulheres assassinadas não para de aumentar e o brutal assassinato de uma advogada» e a alegada «violação em grupo de uma jovem em Almada, de forma repetida, não nos pode deixar ficar indiferentes enquanto organização, enquanto mulheres e enquanto cidadãs», refere a associação em comunicado.

Para a AMCV, todas estas situações «confirmam o risco de quem vive e sofre violência», mas também que quem intervém nesta área, e «torna clara a inoperância de qualquer sistema que exista localmente».

Citando o caso noticiado pelos jornais de uma rapariga que «foi violada/abusada duas vezes pelos mesmos jovens», a associação refere que «deveriam ser apuradas responsabilidades e alguém deveria ser demitido por inoperância e incompetência».

«Do que é possível ler das notícias não se percebe onde anda a Polícia Judiciária, que é quem tem competência para investigar estes crimes. Não se percebe qual o apoio que foi dada à criança/jovem, apesar de ter sido identificada o nível de sofrimento em que se encontrava. Não se percebe a eficácia dos 10 dias de suspensão dos jovens numa situação de violência sexual», comenta.

Recorda que o «abuso sexual não se reduz a uma questão de impulso e de mau comportamento de jovens», que se não forem contidos e apoiados tornar-se-ão violadores convictos.

Para a AMCV, a gravidade da violência que atualmente se observa no contexto dos jovens deveria levar o Governo a construir um plano nacional de ação de combate à violência contra as crianças e jovens, com carácter vinculativo.

Além disso, deveria haver um debate sobre a segurança dos profissionais que intervêm na área da violência de género.

A associação lembra que Portugal já tem instrumentos de avaliação e gestão de risco, nomeadamente ao nível das forças de segurança, que permitem desenhar planos de segurança, que incluem a entrada de vítimas em casa de abrigo e a detenção dos agressores.

«Além da avaliação de quem deveria ter agido e não agiu», a «quantidade de homicídios que continuam a acontecer» deveriam levar à criação de uma comissão de análise retrospetiva dos crimes de violência de género que «possibilite o entendimento do que aconteceu no sentido de melhorar a eficácia dos modelos de intervenção», defende.

Para a AMCV, intervir na área da violência contra mulheres, jovens e crianças exige um pensamento semelhante à intervenção em situação de catástrofe, tem que ser «coordenada, articulada e coerente».

Em dezembro de 2013 estavam detidos 427 reclusos pelo crime de violência doméstica, mais 189 face a 2011, e havia 210 agressores com pulseira eletrónica, contra 51 em 2011.