As 18 mulheres assassinadas este ano em Portugal vítimas de violência doméstica foram homenageadas esta quarta-feira, no Porto, com a atribuição de uma árvore a cada uma delas.

"Uma árvore erguida por cada mulher caída", anunciaram as pessoas concentradas na praça da Liberdade, à medida que colocavam em 18 carvalhos os nomes de cada uma das vítimas.

O carvalho é uma árvore forte, como fortes têm sido as mulheres que têm aguentado todo tipo de violências"

 Ilda Afonso, diretora técnica do Centro de Atendimento e Acompanhamento a Mulheres Vítimas de Violência (P´ra ti) da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), no Porto, explicou que as árvores serão posteriormente levadas para o concelho de São Pedro Sul, em Viseu, um dos afetado pelos incêndios, onde serão plantadas na época apropriada.

De laço lilás ao peito, cerca de uma dezena de pessoas homenagearam as 18 mulheres assassinadas.

"Nem mais uma!" era a frase inscrita no laço que serviu como homenagem, mas também como forma de protesto pelo fim do femicídio.

"Pretendemos demonstrar o nosso descontentamento e protestar contra esta situação que em Portugal é dramática", segundo Vanessa Ribeiro, psicóloga e técnica de apoio à vítima no Centro de Atendimento P´ra Ti.

Ilda Afonso frisou que a sociedade tem de "começar a pensar nestes crimes, como crimes que não são justificáveis".

É muito importante que se fale, que se informe, que se diga o que é que está a acontecer, para as pessoas terem consciência de que não querem isto na sociedade portuguesa".

No próximo dia 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos, será realizada, em São Pedro Sul, distrito de Viseu, uma homenagem com a plantação de uma árvore num local da cidade.

Esta iniciativa integra na Campanha Internacional "16 Dias de Ativismo contra a Violência de Género", a que a UMAR se associou.

Há poucos dias, houve em Lisboa uma marcha com centenas de pessoas pelo fim da violência doméstica.