Quase metade das raparigas entre os 15 e os 19 anos acredita que há várias justificações para que um homem bata na sua companheira, segundo um comunicado da UNICEF, a propósito do Dia Internacional da Rapariga, que se assinala no sábado.

A recusa de relações sexuais, o sair de casa sem autorização, discutir ou queimar o jantar são justificações que estas adolescentes aceitam para a violência doméstica.

«Estes números refletem uma mentalidade que tolera, perpetua e até justifica a violência e devem fazer soar um alarme a toda a gente, em todo o lado», afirmou Geeta Rao Gupta, directora-adjunta da UNICEF, citada pela Lusa.

No comunicado, a organização revela preocupação com as «perceções erradas e prejudiciais sobre a aceitação da violência, particularmente entre as raparigas», num trabalho que envolve dados de 190 países.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância avisa que «quase uma em cada quatro raparigas adolescentes é vítima de violência física», ou seja, aproximadamente 70 milhões.

«Cerca de 120 milhões de raparigas menores de 20 anos (cerca de uma em cada 10) tiveram experiências de relações sexuais forçadas ou outro tipo de atos sexuais forçados», dia a nota.

A UNICEF lembrou que «mais de 700 milhões de mulheres hoje vivas casaram antes dos 18 anos» e «mais de uma em cada três (cerca de 250 milhões) entraram numa união antes dos 15 anos».

Manter as raparigas na escola para que adquiram «competências cruciais», dialogar com as comunidades e reforçar os serviços judiciais, criminais e sociais podem prevenir a violência, aconselha a organização.