Um jovem acusado de raptar a filha de dois anos e sequestrar a ex-companheira há cerca de um ano, em Estarreja, confessou hoje os factos, mas alegou que o que aconteceu "não foi planeado" e mostrou arrependimento.

"Penso que errei. Foi uma atitude grave e podia ter corrido pior", disse o arguido, de 21 anos, que depunha no Tribunal de Aveiro, no início do julgamento de um processo em que também é arguida uma tia do jovem, que terá colaborado nos crimes.

Perante o coletivo de juízes, o suspeito admitiu que foi ao infantário buscar a filha, que estava entregue aos cuidados da avó paterna, ao abrigo de um processo de promoção e proteção, para que a ex-companheira pudesse estar com ela.

A minha ideia era ir buscar a minha filha ao infantário e, antes das 17:00, levá-la a casa da minha mãe", disse, negando que pretendesse levar a criança para obrigar a mãe a coabitar consigo de novo, como refere a acusação.

O arguido contou ainda que pediu à sua tia, coarguida no processo, para telefonar para a creche, fazendo-se passar pela avó paterna da bebé, a dizer que o pai ia buscar a filha porque ela teria que ir a uma consulta. "Ela fez isso na inocência dela", referiu, procurando, dessa forma, ilibar a familiar da acusação de sequestro.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a criança de dois anos foi raptada no dia 08 de julho de 2015, pelas 15:30, de um infantário em Estarreja, após o pai ter convencido a educadora de infância a entregar-lhe a bebé.

O suspeito terá andado várias horas com a bebé na sua viatura e, durante esse período, terá feito repetidos contactos para a ex-companheira, ameaçando que se matava a si e à sua filha se aquela não voltasse para ele.

Já de madrugada, o arguido aceitou entregar a bebé à sogra, depois de a ex-companheira ter entrado na sua viatura, e arrancou em alta velocidade, conseguindo escapar a uma operação montada pela GNR para o capturar.

De acordo com os investigadores, o suspeito fugiu em direção a Lisboa e, ao final da manhã, acabou por permitir que aquela regressasse a casa de comboio.

O pai da bebé e a tia estão acusados de um crime de rapto. O arguido responde ainda por um crime de sequestro.